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18 de September de 2017 - 06h35

Violência contra a mulher incentiva a prática de defesa pessoal na capital

As estatísticas elevaram a busca por cursos de defesa pessoal para o público feminino

FERNANDA SANDOVAL, LORRAYNA FARIAS E TALITA OLIVEIRA
Arakaki ensina karate há 35 anos e mixou outras artes marciais para o curso.Arakaki ensina karate há 35 anos e mixou outras artes marciais para o curso.  (Foto: Fernanda Sandoval)

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) registrou 4.154 casos de violência doméstica em Mato Grosso do Sul até o mês de agosto de 2017. Em 2016, o registro no mesmo período foi de 3,4 mil casos. Para reduzir essa estatísticaSubsecretaria de Políticas para a Mulher (Semu) e a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte) oferecem o curso de defesa pessoal para o público feminino. O objetivo é garantir mais segurança às mulheres e a possibilidade de combater situações abusivas. 

De acordo com o Mapa da Violência de 2015, 50,3% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros da vítima. Em 2016, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado com maior número de denúncias de violência contra mulheres no país. A Sejusp registrou mais de 300 estupros e 23 tentativas de estupro no estado. 

A Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio são meios de proteção da mulher. Segundo a subsecretária de Políticas para as Mulheres, Carla Stephanini políticas públicas são necessárias para diminuir as estatísticas de violência e desigualdade entre homens e mulheres no estado. “A importância das políticas públicas através dos organismos governamentais é no sentido de trabalharmos pelo empoderamento das mulheres, pela autonomia financeira das mulheres e para que elas tenham cada vez mais a disposição e coragem de denunciar os abusos sofridos e os crimes praticados contra elas”.

O curso

O curso de defesa pessoal é ministrado pelo professor de karatê, Hélio Arakaki. O professor começou a dar aulas de defesa pessoal para o público feminino em 2016, por causa do elevado índice de agressões a mulheres. O curso se divide em dois módulos de quatro horas cada, o primeiro no dia 23 e o segundo no dia 30 deste mês. 

   Arakaki treina os reflexos de Laura Higa
  (Foto : Fernanda Sandoval) 

Arakaki mesclou técnicas do karatê, kung fu, judô e do jiu-jitsu para produzir os movimentos das aulas. O projeto do curso surgiu após o professor oferecer uma oficina para as mulheres na Fundação Municipal do Esporte (Funesp).

Movimentos de bloqueio e ataque são repetidos e revezados no treino, que tem a duração de uma hora. A aluna Laura Cecília Higa pratica defesa pessoal com o professor há dois meses. "Além da técnica que a gente aprende da autodefesa, que eu acho muito importante pra mulher hoje em dia saber, eu senti muita melhora na autoestima, autoconfiança e segurança". A confiança e a autoimposição são trabalhadas nas técnicas e na postura que o professor ensina. As aulas acontecerão no Centro Municipal de Treinamento Esportivo (Cemte), localizado na rua Estefânia, no bairro Carandá Bosque. 

O professor de jiu-jitsu Jean Geosephy apoia a iniciativa do curso gratuito. Ele ministra aulas do esporte há dois anos, é faixa marrom da arte marcial e defende a adesão feminina ao jiu-jitsu e às aulas de defesa pessoal. "É um modo seguro de defesa de ataques com arma branca e assédio. Sabendo se defender, as mulheres se tornam pessoas mais corajosas no dia a dia".

 A subsecretária Carla Stephanini considera a possibilidade de autodefesa algo libertador para a mulher. "Não é responder a violência com violência, mas sim dar condições de se desvencilharem daquela situação de perigo ou de violência iminente. É também dar condições às mulheres do livre exercício de ir e vir, de ela poder caminhar por onde quiser sem medo. É dar condição de proteção e autodefesa para as mulheres campo-grandenses".

Desde a escola

  Kemp ressalta a importância da escola na prevenção
  (Foto: Fernanda Sandoval)

A Lei de número 5.011 de autoria do deputado Pedro Kemp vigora há três meses e garante que ações que combatem o machismo e valorizem a vida da mulher aconteçam nas escolas estaduais de Mato Grosso do Sul. A Lei regulamenta a capacitação da equipe pedagógica e dos profissionais do ensino do estado. 

O deputado defende a importância das aulas de defesa pessoal ofertadas pela Semu e Funesp e acredita que as ideias machistas "precisam ser combatidas desde muito cedo, na formação das nossas crianças e dos nossos jovens, porque só assim eles vão crescer com outra mentalidade, respeitando as mulheres e entendendo que deve haver uma relação de igualdade de direitos e de oportunidades".

Em 2016, as denúncias de violência doméstica aumentaram 60%, Kemp afirma que a conscientização fez o número crescer. "No passado, esses casos ficavam escondidos, não havia visibilidade para o problema como tem hoje. Devido às informações repassadas pela mídia, devido à Lei Maria Da Penha, houve uma maior conscientização entre as mulheres. Então elas estão denunciando mais, estão registrando boletins de ocorrência, estão buscando seus direitos". 

SERVIÇO

Denúncias de violência doméstica são feitas na Central de Atendimento à Mulher, no disque denúncia 180, serviço gratuito e 24h oferecido pela Secretaria de Políticas para Mulheres. Segundo um balanço divulgado pela Secretaria, desde a criação da Central até o primeiro semestre de 2016 foram mais de cinco milhões de ligações.

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