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16 de agosto de 2016 - 01h05

Falta de investimento inviabiliza representatividade olimpíca de Mato Grosso do Sul

Atletas reclamam da falta de quadras, áreas para treino e patrocínio

CAMILA VILAR, DAIANA PORTO E GIOVANA SILVEIRA
Atletas sem patrocínio recorrem a campos improvisados para treinaremAtletas sem patrocínio recorrem a campos improvisados para treinarem  (Foto: Camila Vilar)

Os Jogos Olímpicos deste ano no Rio de Janeiro tiveram a participação de 465 atletas que representaram o Brasil, destes, três eram de Mato Grosso do Sul. A falta de representatividade sul-mato-grossense nas olimpíadas, ocorreu porque  a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte) e Fundação Municipal de Esporte (Funesp) não apresentaram projetos de incentivo ao esporte para garantir o repasse de verbas do Ministério do Esporte com o Plano Nacional do Desporto.

Os centros de Iniciação Esportiva (CIE) fazem parte do Plano Nacional do Desporto. Existem três níveis de CIE e cada um é estabelecido de acordo com o tamanho da cidade. Em Mato Grosso do Sul, Corumbá e Dourados foram as únicas cidades que apresentaram projetos para receberem instalação do CIE. De acordo com Marcelo Ferreira, estes projetos eram de atribuição das prefeituras. “As prefeituras tinham que elaborar projetos para o Ministério do Esporte. Eu acredito que um dos grandes problemas de esporte aqui no Mato Grosso do Sul, é sem dúvida alguma a questão da gestão, eu acho que isso é um problema sério e a gente tem tentado resolver isso com fóruns e discussões. Mas eu entendo também que existe uma dificuldade muito grande de captação de recursos para a iniciativa privada. Nós não podemos, num estado com tantas demandas e tantas necessidades a nível de segurança pública, educação e saúde, exigir que o poder público banque 100% as ações esportivas.”

O atleta Douglas Capeles joga vôlei de praia há 12 anos, e teve dificuldades para competir, principalmente por falta de patrocínio. De acordo com o atleta, em algumas competições, recebeu auxílio financeiro da Seleta Sociedade Saritativa e Humanitária (SSCH) e, na maioria das vezes, o patrocinador das viagens era seu pai. “80% das vezes que fui para uma competição era meu pai [que pagava a passagem], ou eu fazia algum bico de trabalho para ganhar alguma grana e poder ir. 20% das vezes era alguma empresa que dava uma ajuda de custo pequena, mas me ajudava bastante.”

Em Mato Grosso do Sul, o Fundo de Apoio ao Esporte (FAE) oferece auxílio financeiro como forma de incentivo às atividades desportivas amadoras. Para ter direito aos recursos do FAE, é necessário que o atleta ou a equipe estejam filiados à Federação da modalidade praticada. Douglas Capeles nunca recebeu recursos do Fundo de Apoio e afirma que fez falta. “Hoje eu estou deixando de participar do Circuito Brasileiro porque preciso pagar minha faculdade, e correr atrás de conquistar outras coisas. Se eu tiver que ficar somente com o vôlei, não vou conseguir. Optei por trabalhar, mas sempre que tenho oportunidade, estou indo jogar, não deixei de representar o estado.”

O Fundo de Investimentos Esportivos (FIE) do estado, serve como apoio às ações esportivas próprias do governo e às federações, associações e clubes. O Fundo, com orçamento médio de R$ 20 milhões nos últimos quatro anos, de acordo com o diretor-presidente da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), Marcelo Ferreira Miranda, é satisfatório.  “Eu acredito que ele não é um fundo ruim, o que falta são ações; um plano de desenvolvimento do esporte que realmente seja sustentado.” 

Atletas paralímpicos

Presidente da ADD, Edson Cavalli (Foto: Camila Vilar)

A Associação Driblando a Diferenças (ADD), em Campo Grande, possui sete modalidades esportivas. Entre elas estão atletismo, bocha adaptada, futebol, natação, tênis de mesa, Polybat, uma variação do tênis de mesa, e paracanoagem. O ex-atleta e atual presidente da ADD, Edson Cavalli, afirma que nenhuma delas possui a estrutura necessária para que paratletas possam treinar e competir da maneira correta. “É muito precária [a estrutura do esporte], muito precária mesmo. A gente tem tudo provisório, não tem nenhuma área de salto, o pessoal improvisa na calçada para jogar na grama [nas competições]. O futebol é mais fácil, porque tem campo e é fácil fazer parceria para campo. Igual atletismo, Mato Grosso do Sul inteiro não tem uma pista de atletismo, porque tanto os paralímpicos quanto os olímpicos tem que sair para fora para competir. Se quiser resultado mesmo tem que sair pra fora para competir”.

 

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