Além da saúde, atividades de recreação são importantes para que o idoso mantenha a sua energia e melhore a sua parte cognitiva. O lazer, seja sozinho ou em grupo, traz benefícios físicos, mentais e emocionais, como a melhora do sistema imunológico, da mobilidade e flexibilidade, e também do raciocínio e memória. Para a gerontóloga Juliana Duarte, além da promoção da saúde, a socialização resultante das atividades de lazer é outro benefício para um envelhecimento saudável. Segundo ela, sem a interação com o outro, podem aparecer sintomas de ansiedade e depressão, ou até a perda da autonomia do idoso.

Eu acho que a atividade de esporte e de lazer para a pessoa idosa é espetacular, ela é totalmente necessária porque fortalece a musculatura, fortalece a cognição, a gente fala que fortalece os neurônios, e fortalece a socialização” - Juliana Duarte

O professor de Educação Física e analista de esportes e recreação do Serviço Social do Comércio (SESC) na unidade Camilo Boni, Diesi Souza, ressalta a importância do lazer para o idoso, principalmente a atividade física, e diz que a prática também melhora o estado psicológico. ”O exercício físico melhora a parte física e melhora muito a parte psicológica, o exercício físico naturalmente libera alguns hormônios e esses hormônios eles geram a sensação de bem estar. Então a atividade física auxilia nessa liberação desses hormônios”. O professor afirma que a prática de atividades físicas para o idoso é importante ao proporcionar uma qualidade de vida melhor e ajudar na realização de atividades simples do dia-a-dia como subir uma escada, pegar um ônibus, entrar e sair do carro, entre outras.

 

O aposentado Seioki Yohara tem 73 anos e pratica atividades físicas há cerca de cinco anos. Ele faz academia, caminhada, corrida, natação e participa de maratonas. Ele afirma que entre as melhorias proporcionadas pelos exercícios, está a força física, humor, relacionamento com as pessoas, principalmente, com a família, e a qualidade de vida. “Não sei se melhora o envelhecimento, mas quando eu comecei a fazer exercício físico não sinto que eu tô ficando velho”. Para ele, o lazer não se resume apenas a atividade física, lazer é qualquer atividade que dê prazer. Yohara participa do programa Universidade Aberta à Pessoa Idosa (UnAPI) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde idosos podem assistir aulas das disciplinas de qualquer curso do campus. Ele afirma que estudou uma disciplina no Curso de Arquitetura e este ano participa de uma matéria em Educação Física.

Não tenho uma atividade fisica definida, mas eu faço tudo que eu consigo fazer”

 

Seioki Yohara, 73 anos

O aposentado Mateus Pires tem 66 anos e afirma que não consegue ficar sem praticar atividades, continua  a trabalhar e jogar futebol com os amigos. Além do esporte, a outra forma de lazer é ir à praça Ary Coelho jogar com os colegas. "Nós sempre nos divertimos, jogamos dama, como é o meu caso, os outros jogam dominó, outras atividades. E é um tempo que a gente fica com a mente ligada, fica saudável pra nós”.

Em Campo Grande, os programas de lazer específicos para os idosos existem nos Centros de Convivência do Idoso (CCI), locais que oferecem à população idosa serviços e atividades como natação, sinuca, artesanato, academia, hidroginástica, capoeira e a dança de salão. O presidente do Conselho Municipal do Idoso ressalta que estes centros auxiliam na prevenção de doenças nos idosos. “O idoso ele fazendo essa atividade física diária, ele reduz as taxas de colesterol, de diabetes, de hipertensão. Essas doenças que são acometidas geralmente pelo envelhecimento da população. E isso age diretamente oferecendo um envelhecimento digno, saudável e uma maior qualidade de vida para os nossos idosos”.

PRAÇA ARY COELHO

A praça Ary Coelho é ponto de encontro de idosos para jogos e socialização (Foto: Nayla Brisoti)

O Vôlei realizado no Grupo de Convivência do SESC é adaptado aos idosos (Foto: Thayná Oliveira)

Além dos CCI, há o programa Grupo de Convivência do SESC, gratuito para pessoas acima de 60 anos. O programa atende 200 idosos e oferece atividades de convivência e cognitivas, como aulas de informática, de xadrez, espanhol, dança, teatro, contação de histórias, declamação de poesias e encontros comemorativos. Segundo a analista do SESC Marialva Domingues, entre as mudanças observadas nos idosos participantes, estão a ampliação da rede de socialização, melhoria da auto estima, na timidez, criatividade e espontaneidade, e expressão de sentimentos e emoções. As atividades estão relacionadas com a qualidade de vida do idoso e, para Domingues as atividades proporcionam a integração e socialização. “Todas as atividades que nós fazemos elas têm o vínculo social que é o da integração, socialização, mas a gente busca também a integridade psicológica dele. A gente tá observando nele o desenvolvimento cognitivo, a manutenção da memória dele. A gente procura cuidar tanto do físico, do emocional dele, da alimentação, porque tudo isso a gente trata como qualidade de vida”.

O professor e pesquisador em Ciências Sociais da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Guilherme Passamani explica que, cada vez mais, as pessoas idosas querem se manter ativas e que o "espaço dos velhos" na sociedade está sendo reconstruído por movimentos de pessoas idosas que querem ressignificar a velhice e  exercer um papel ativo na sociedade.

Professor e pesquisador Guilherme Passamani