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29 de novembro de 2016 - 12h51

Pais denunciam demissão de auxiliares para deficientes na Rede Municipal de Ensino

Secretaria Municipal de Educação pede revogação dos contratos de professores auxiliares antes do fim do ano letivo

BRUNA KASPARY, JULIANE GRISOSTE E RAFAELA FERNANDES
João Victor tem autismo e precisa do acompanhamento de uma professora auxiliar na sala de aulaJoão Victor tem autismo e precisa do acompanhamento de uma professora auxiliar na sala de aula  (Foto: Arquivo Pessoal)

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) solicitou a suspensão das atividades dos auxiliares pedagógicos e intérpretes da Rede Municipal de Ensino (Reme), antes do término do ano letivo. Os cancelamentos dos contratos realizados antes do prazo foram denunciados por pais de alunos com deficiência, no dia 22 de novembro, na Câmara Municipal de Campo Grande. De acordo com o calendário escolar da rede municipal, as aulas encerram dia 22 de dezembro e a Semed revogará os contratos a partir do dia 9 de dezembro, para contenção de gastos do órgão. 

Os pais denunciaram na Câmara Municipal de Campo Grande as dificuldades para garantia do direito à inclusão e educação dessas crianças nas escolas municipais. A vice-presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas (Ama), Mara Rúbia Gamon, afirma que os alunos deficientes precisam dos profissionais auxiliares na sala de aula. “Não é só a questão do autista, imagina um deficiente visual sem o apoio pedagógico ou o deficiente auditivo sem o intérprete de libras? Como essas crianças vão fazer se não tem ninguém pra ajudar nas suas atividades diárias dentro da escola? É o cúmulo do absurdo, a falta de respeito e sensibilidade. Num momento que se fala de inclusão e educação inclusiva, que inclusão é essa? Isso pra mim é exclusão”. 

Mirtes Jesuíno ressalta a necessidade de professores auxiliares (Foto: Rafaela Fernandes)

A secretária municipal de educação, Leila Machado emitiu nota de esclarecimento de que o acompanhamento profissional para crianças com deficiência não serão suspensos. De acordo com a chefe do Núcleo de Educação Especial da Semed, Mirtes Jesuíno, a escola pode emitir justificativa para requerer a permanência do profissional entre os dias 12 a 16 de dezembro. “Porventura o pai queira estar até o dia 16 com essa criança indo a escola, e também para aqueles que ficaram de exame, a escola pode fazer uma justificativa, apresentando as causas, os motivos, o aluno e o professor, requerendo a permanência desse profissional”.

Mirtes Jesuíno afirma que o pedido de revogação dos contratos dos professores auxiliares foi analisado com o objetivo de conter os gastos do órgão. Ela ressalta que o prazo de entrega das notas do quarto bimestre para a Secretaria Municipal de Educação será até o dia seis de dezembro e, por isso, os auxiliares serão dispensados entre os dias 12 a 16 de dezembro. “Nós estamos em uma situação da otimização dos recursos, nós precisamos ter recursos. Recursos humanos, são importantes, são necessários, mas também nós não podemos ter esses recursos, quando não tem necessidade daquilo ali. Você tem um custo por aqueles serviço e se você não tem necessidade desse serviço, por quê? Isso é uma questão de gestão”.

A administradora Naina Dibo é mãe de um aluno autista e não concorda com a ação da Semed. “O João não consegue aprender sem a tutora com ele. Ela adapta todas as atividades de sala de aula para que ele consiga assimilar. As crianças com outros tipos de deficiência também sofrem”. Para a chefe do Núcleo de Educação Especial da Semed, o objetivo dos auxiliares é melhorar o desenvolvimento dos alunos. “O pai vê mais a questão do cuidar e nós vemos essa questão do desenvolvimento efetivo da cidadania e autonomia da criança. A gente tá lá amparando, mas não é nossa intenção de ficar segurando essa criança”.

O filho de Naina Dibo tem sete anos e, segundo ela, começou a escrever no final deste ano. “Para começar a falar foi só aos quatro anos. Ele precisa do acompanhamento da tutora, porque a professora não dá conta de cuidar de uma sala de aula cheia e mais dele”. Naina Dibo ressalta que para o filho começar a conhecer as letras, a professora auxiliar teve que fazer atividades complementares para ele. “Ela faz a letra A de massinha, para que ele possa sentir e entender como ela é, antes de escrever”.

De acordo com Mirtes Jesuíno o pedido de suspensão dos auxiliares foi descontextualizado pelos pais.“Nós entendemos que a preocupação dos pais, é uma preocupação legítima, diante de como foi apresentado os fatos. Só que nós precisamos apurar os fatos. E ver aqui que não é uma situação descontextualizada e fora de negar todo o trabalho que está sendo feito”. Mirtes Jesuíno afirma que com três gestões na Semed, o trabalho melhora a cada ano. “O quantitativo de auxiliares cada vez é crescente, o tanto de apoio em 2015, nós fechamos com 384, este ano nós estamos com 469 auxiliar pedagógico especializado. De estagiário de pedagogia, capacitado por nós com cursos, nós tínhamos no final do ano passado terminamos com cerca de 165, hoje nós temos quase 300 estagiários”.

Uma comissão de mães que tem filhos deficientes matriculados na Reme foi criada para que os direitos dessas crianças sejam garantidos. De acordo com Maria Rúbia Gamon?, a ação preventiva é que o prefeito eleito em Campo Grande, Marcos Trad, do Partido Social Democrático (PSD), regulamente lei específica sobre as políticas públicas para as pessoas com deficiência. “Nós queremos que isso não aconteça mais, porque uma semana que seja, faz diferença na vida de uma criança que tem dificuldade de aprendizagem. No nosso caso, a criança com autismo precisa de interação e o convívio é importante. Para elas, qualquer atividade na escola seja lúdica ou não, é ganho para o aprendizado dela”.

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