CAMPO GRANDE19º MIN 26º MAX
Primeira Notícia UFMS
  quarta, 20 de setembro de 2017
 
12 de dezembro de 2016 - 07h13

Governo de Mato Grosso do Sul cria cadastro de alunos superdotados

São 400 alunos identificados com altas habilidades e superdotação em Campo Grande

GUILHERME SOUZA, JOAQUIM PADILHA E JULIANE GARCEZ
Alunos superdotados realizam atividades de enriquecimento curricular no NAAH/SAlunos superdotados realizam atividades de enriquecimento curricular no NAAH/S  (Foto: Arquivo SED)

O Governo de Mato Grosso do Sul aprovou, no dia 25 de novembro, a lei que determina a criação do "Cadastro Estadual de Alunos com Altas Habilidades e Superdotação". De acordo a proposta da Lei, publicada no Diário Oficial, o Estado disponibilizará uma equipe técnica que trabalhará na identificação e no atendimento às crianças com altas habilidades. O projeto de lei original tramitava na Assembleia Legislativa do Estado desde maio deste ano.

Segundo dados Censo Escolar, de 2014, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o número de alunos, identificados com superdotação em todo o Brasil, era de 13.308, um aumento de 17 vezes em relação ao primeiro ano da pesquisa, 2000, quando haviam 758 identificados.

Coordenadora do NAAHS, Graziele Jara (Foto: Joaquim Padilha) 

A coordenadora do Núcleo de Atendimento às Altas Habilidades e Superdotação (NAAHS) de Mato Grosso do Sul, Graziele Jara, 37 anos, diz que existem várias formas de se definir o que é a superdotação. "Cada teórico utiliza um diferente conceito de superdotação. É normal que as pessoas confundam o que é ser um superdotado, com o que é ser um gênio ou ser um aluno estudioso". 

De acordo com pelo Ministério da Educação (MEC), baseado nos estudos do psicólogo da educação Joseph Renzulli, a superdotação nas crianças é definida por três características, o desempenho acima da média, o comprometimento com as tarefas desenvolvidas e a criatividade.

Graziele Jara explica que o NAAHS faz a identificação destas três características nas crianças. “Quando você trabalha com a teoria de Renzulli, você pode constatar que 10 a 15% da população mundial possui altas habilidades”. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 5% da população do mundo tem altas habilidades. A coordenadora afirma que consideram superdotados apenas aqueles que possuem proficiência em conhecimentos científicos e acadêmicos. 

Núcleo de Altas Habilidades

O Núcleo atende 90 alunos na Capital (Foto: Joaquim Padilha)

O NAAHS foi fundado em Mato Grosso do Sul em 2005, por meio da adesão do governo do Estado ao programa do governo federal que tem o objetivo de promover o atendimento gratuito e especializado aos alunos com superdotação. 

Segundo Graziele Jara, o NAAHS identificou 400 alunos, em Campo Grande, com altas habilidades, durante onze anos de serviço. "O número de identificados poderia ser duas vezes maior, mas falta incentivo do governo estadual para ampliar a unidade".

A coordenadora ressalta que uma dificuldade enfrentada pelo Núcleo é o deslocamento dos alunos até a sede, no Centro de Campo Grande. Segundo a lei municipal, as crianças com altas habilidades não tem direito a receber o passe gratuito para realizar suas atividades de enriquecimento curricular.

De acordo com a coordenadora, o Núcleo possui doze salas que atendem 90 alunos. “Cada ano vai aumentando um pouco mais, ano que vem devemos chegar a 100”. Graziele Jara diz que solicitou à Secretaria de Estado de Educação (SED) uma reforma para ampliar o espaço. "Precisamos ampliar devido ao crescimento do número de identificados, mas que os pedidos ainda não foram atendidos".

Ela explica que a recomendação para que um aluno faça os testes e seja identificado como superdotado é feita pelos professores, e nem todos os profissionais têm formação adequada para reconhecer as crianças com altas habilidades. "O essencial seria que essa formação voltada para a educação especial fosse dada logo nos anos iniciais dos cursos de pedagogia, quando na verdade isso só ocorre no fim das grades curriculares".

Superdotados

A acadêmica do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sarah Santos, 19 anos, explica que a experiência de ter estudado no NAAHS foi importante para reconhecer suas habilidades. "Quando me ligaram do Núcleo dizendo que eu tinha sido indicada e que poderia ser uma superdotada, eu ri ao telefone. Não acreditei nessa possibilidade, pois não me considerava uma boa aluna. A gente tem essa impressão de que ser um superdotado é um aluno que é gênio em todas as disciplinas, o que não é verdade".

Sarah Santos foi identificada como superdotada (Foto: Joaquim. Padilha)

A acadêmica ressalta que sempre teve habilidade em linguística, em comunicação e em ciências humanas. "Por medo de ser ridicularizada pelos professores das áreas exatas, que não acreditavam que poderia ter superdotação, cheguei a esconder o fato de que frequentava o NAAHS".

Sarah Santos diz que a indicação foi feita em 2012 pelo professor Ivo Leite Filho, que coordenava o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação do Ensino Médio (PIBIC Junior), do qual a jovem participava. "A partir daí, passei a receber visitas de uma dupla, psicólogo e professor, uma vez por semana após suas aulas".

A estudante destaca que gostava de realizar os testes de superdotação e que o Núcleo não avalia apenas o "QI" dos candidatos, mas também se o aluno superdotado possui uma das três características elencadas pelo psicólogo Renzulli. “Eles procuram primeiro saber quais habilidades você teria, que tipo de inteligência você teria, e depois tentam desenvolver isso para saber se você tem altas habilidades ou não”. 

Sarah Santos diz que desenvolveu melhor habilidades com oratória e oralidade, por meio de cursos de teatro, poesia, literatura, oferecidos pelo Núcleo. “Lá era um ambiente onde a gente discutia bastante também o que era a superdotação, o que era ser superdotado e como era a nossa visão de mundo, então era bastante aconchegante”.

COMENTÁRIOS
 © Copyright 2017 Primeira Notícia