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30 de janeiro de 2017 - 11h43

Ceinfs de Campo Grande têm deficit de seis mil vagas

A lista de espera possui cerca de 12 mil crianças que aguardam vaga

DAIANA PORTO, GABRIELA ZALESKI E GIOVANA SILVEIRA
Último Ceinf inaugurado, localizado na Avenida Afonso PenaÚltimo Ceinf inaugurado, localizado na Avenida Afonso Pena  (Foto: Daiana Porto)

Os Centros de Educação Infantil (Ceinfs) possuem deficit de vagas, cerca de 12 mil crianças estão em lista de espera, de acordo com a assessora da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de Campo Grande, Mayara Sá. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) tem 99 Ceinfs na capital e, no ano passado, foram atendidos mais de 25 mil alunos, este ano são oferecidas 6216 vagas que atendem metade da demanda. 

Segundo a tabela de Modalidade de Ensino, feita pela Semed em parceria com o Sistema de Informações Gerenciais (Siger) da Rede Municipal de Ensino e do Núcleo de Estatística, os Ceinfs atendem crianças do berçário ao Pré II, que corresponde a alunos de quatro meses a seis anos. Cada unidade é responsável por atender uma faixa etária específica. A matrícula é feita em três etapas, a pré-matrícula, designação das vagas e a matrícula presencial. A pré-matrícula é realizada por meio de cadastro no portal de matrículas da Semed, que pode ser efetuado durante todo o ano.

Lanna Vasques aguarda vaga para filho (Foto:Gabriela Zaleski) 

De acordo com Mayara Sá, as crianças são chamadas conforme a ordem de cadastro. “Conforme as vagas vão surgindo, a equipe da Central de Matrículas entra em contato com os pais via telefone”. Após o contato, os pais devem confirmar a vaga ao fazer a matrícula presencial no Centro de Educação Infantil que a criança foi designada, e o não comparecimento nas datas informadas no cronograma resulta na perda da vaga disponibilizada. 

A secretária Lanna Vasques aguarda há seis meses, uma vaga para o filho de dois anos. "Já estou desesperada, eu preciso muito voltar pro trabalho, minha situação financeira tá muito apertada e sem creche é impossível, eu não tenho onde deixar o menino, nem dinheiro pra pagar uma escolinha particular". A secretária afirma que enviou um pedido a Defensoria Pública para conseguir a vaga. "Entrei na Justiça com o pedido, mas de primeira foi negado, disseram que todas as creches estavam lotadas. Agora tô contando com a sorte de conseguir a vaga por mandado de segurança". 

A diretora do Ceinf "Pascoala Vera Rios", Rosilei Mattoso afirma que os pais devem respeitar a lista de espera por vagas nas creches. "Muitos pais vem ao Ceinf para questionar se há vagas e são muitas as reclamações. Alguns estão na fila de espera há anos, mas infelizmente, não podemos fazer nada. Recomendamos que eles esperem o contato da central de matrícula informando sobre a vaga".

A vendedora Mariane Paes ainda aguarda a filha de um ano ser chamada para uma das vagas dos Ceinfs. "Preciso muito de um emprego, eu faço bombons, vendo lingerie, mas não está sendo o suficiente. Eu preciso muito trabalhar, todos de casa trabalham e por isso ninguém pode olhar minha neném. Teria que arrumar alguém para olhar ela para eu trabalhar e pagar uma escola particular, só que onde eu moro a escola só pega ela com três anos". 

A serviços gerais Arlete Aguirre está na fila há cinco meses, e precisa deixar o filho de nove meses com a avó para trabalhar. "Preciso da vaga para conseguir ter mais tranquilidade no meu trabalho, meu filho fica com minha mãe, mas ela já tem uma idade avançada e fica complicado, pois na idade dele é super ativo."

O padeiro Josué Rodrigues afirma que conseguiu uma vaga para sua filha Marina, de três anos, e isto permitiu que ele continuasse com o trabalho. "Foi um alívio, pois minha mãe é de idade e já não tava dando conta de cuidar de criança pequena. Eu também não podia deixar de trabalhar, então, veio numa ótima hora".

A artesã Jéssica Rodrigues está com o filho na fila de espera há três anos, entrou com pedido na Defensoria Pública e aguarda resultado. "Coloquei meu filho na lista de espera quando completou seis meses e hoje ele está com três anos e ainda não saiu a vaga. Não tenho com quem deixar ele pra poder trabalhar, já fui na Defensoria Pública entrei com uma ação na justiça pedindo a vaga levei na secretaria e não consegui ainda".

Serviço

Informações sobre as matrículas podem ser obtidas pelo telefone 0800 615 1515, ou na Central de Matrículas, localizada na Rua Onicieto Severo Monteiro, número 460, bairro Vila Margarida, horário de funcionamento das 7h30 às 17h30.

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