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17 de August de 2016 - 19h34

Valor elevado nas faturas de energia afeta famílias do Porto da Manga

Ribeirinhos recebem faturas acima de R$ 500 e fazem empréstimo para pagar dívidas

ANA CAROLINA PLANEZ, MARIA EDUARDA LEÃO E MARIA LUIZA PEREIRA
Jocilene Soares Paz mostra os poucos eletrodomésticos da casa.Jocilene Soares Paz mostra os poucos eletrodomésticos da casa.  (Foto: Maria Eduarda Leão)

Moradores do Porto da Manga são afetados por preço elevado das faturas de energia há mais de seis anos. A comunidade está localizada há 60 quilômetros do município de Corumbá, na região leste do estado. A população ribeirinha tem acesso à eletricidade desde 2009 e a partir de 2010 as faturas apresentaram irregularidades como medições erradas e valores altos para a realidade da região, e desvios de energia diretamente nos medidores.

A pescadora de iscas Jocilene Soares Paz explica que um funcionário da empresa Energisa mede a energia por satélite porque afirma não precisar fazer a medição todo mês. Ela paga em média R$ 350 de fatura. Jocilene Soares tem uma geladeira, televisão e um ventilador pequeno. A renda da pescadora, dinheiro que ganha na venda de iscas, é quase todo destinado a pagar as contas de energia. “Eu fui no Procon. Eles falaram que não tava pegando questão de Energisa no momento. Aí fui na Enersul e ele falou que devia ter alguma conta, alguma coisa atrasada no passado e no consumo tava vindo. Não explicam direito”.

A organização não governamental Ecologia em Ação (ECOA) desenvolve projetos com a comunidade Porto da Manga para ajudar na geração de renda das famílias como a "Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal". O diretor presidente André Luiz Siqueira trabalha há onze anos na ONG e explica que a situação é complexa. “Existem pessoas muito simples com praticamente nenhum equipamento dentro de casa e pagando um valor extremamente abusivo. Eu não sei se isso é pela qualidade da transmissão. Alguns precisam estar cadastrados num modelo diferenciado, não sei se existe uma categoria social”.

Siqueira acredita que é necessário cadastrar os moradores menos favorecidos em categorias de contagem mais acessíveis, como as de cota social, correspondentes à renda mensal dos moradores. “Está claro que tem ‘gato’ ali, até porque se você olhar parece que há uma série de instalações mal feitas. Isso a concessionária poderia ter um olhar mais específico para isso e tentar orientá-los para resolver essa situação. Então, além de um compromisso de responsabilidade social da concessionária, parece não haver ali dentro do Porto da Manga". 

A aposentada Maria do Carmo de Souza, 78, pagava entre R$ 40 e R$ 50 de fatura de energia e em 2015 começou a pagar R$ 900. Como não tem dinheiro suficiente, ficou com uma dívida de quase R$ 2000. Maria do Carmo teve que fazer empréstimo para quitar a dívida. “Isso eu achei muito absurdo, agora veio R$ 600“. 

Maria do Carmo anota os números de contato na parede, como o da Energisa. (Foto: Maria Eduarda Leão)

De acordo com funcionários da Energisa, que preferiram não serem identificados, a região do Porto da Manga é da região do Rio Paraguai. Eles afirmam que todos os dias vão à comunidade, mas apenas para fazer medição. A assessoria de imprensa afirma que não tinha conhecimento do problema e organizou uma equipe para averiguar a situação. 

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