ECONOMIA

Comércio exterior de Mato Grosso do Sul será beneficiado por Rota de Integração Latino-americana

A Rila será financiada pela hidrelétrica binacional Itaipu em parceria com o governo paraguaio

Fernanda Venditte, Julia Renó e Mara Machado, de Campo Grande19/03/2019 - 14h40
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A obra da Rota de Integração Latino-americana (Rila), em Mato Grosso do Sul, será construída no município de Porto Murtinho e ligará a cidade à Carmelo Peralta, no Paraguai. De acordo com o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, o trajeto deverá ser inaugurado em agosto de 2023 e tem como um dos objetivos promover melhorias na importação e exportação de produtos para países da América e Ásia.  A construção da Rota proporcionará uma economia de oito mil quilômetros náuticos até a China, principal importador dos produtos sul-matogrossenses.

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em janeiro, os chineses importaram do Estado o equivalente a 28,4% do total exportado, correspondentes a U$97,138 milhões. O principal produto adquirido pela China foi a celulose, que correspondeu a 85,33% do total das aquisições, equivalentes a US$ 82,892 milhões. Os chineses também adquiriram soja, pedaços e miudezas comestíveis de aves congelados, couros e peles de bovinos em vários estágios de processamento e produtos derivados de peixe.

De acordo com o coordenador-geral de Assuntos Econômicos da América do Sul, Central e do Caribe, João Carlos Parkinson o comércio com estes países se tornará mais rápido e seu custo será reduzido. “De Antofagasta para Xangai, por exemplo, levaria apenas 37 dias, e você contaria também com as vantagens decorrentes das melhores condições portuárias do Chile, com frequências marítimas maiores, menores fretes e a possibilidade de não só atingir o Continente Asiático, em particular o grande mercado chinês, mas também a Costa Oeste dos Estados Unidos”.

O presidente do Sindicato de Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog MS), Cláudio Cavol afirma que, apesar do aumento no frete rodoviário, as economias em fretes náuticos e taxas portuárias serão maiores. “Vamos ganhar muito em tarifas portuárias, porque os portos chilenos são muito mais eficientes que os portos brasileiros e as tarifas portuárias lá custam menos de 1/3 do que custam no Brasil. Ao mesmo tempo, nós temos um frete mais barato dos navios, por que nos portos chilenos, que são portos de grande calado, podem atracar os maiores navios do mundo, enquanto no Brasil, poucos portos podem ter esses navios”.

Cavol ainda explica que, inicialmente, a previsão é de que produtos manufaturados sejam os mais transportados pela Rota e que, em um segundo momento, o transporte de produtos primários como a soja, o milho e o algodão torne-se mais comum. Além disso, o produtor industrial, agricultor ou pecuarista terá maior rentabilidade, com preços melhores no mercado internacional.

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen a Rota, além de proporcionar benefícios relacionados ao ganho de tempo e à redução dos custos de transporte de mercadorias, possibilitará o desenvolvimento de empreendimentos ao longo do eixo logístico. “Será necessário construir todo o aparato de suporte como postos de combustível, estruturas de armazenamento e distribuição, serviços relacionados à manutenção e reparação de veículos, alimentação, hospedagem, entre outros”.

Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar , Jaime Verruck esta é uma estratégia de longo prazo para integrar Mato Grosso do Sul à America Latina. "Definimos um cronograma de 12 meses para que se faça a execução de todos os projetos. Nós temos o orçamento, projeto e uma equipe técnica da Itaipu trabalhando para a consolidação".

De acordo com João Carlos Parkinson foram criados setores de infraestrutura e logística, produção e comércio, atuação aduaneira, turismo e também um setor responsável pela rede universitária, que permitirá maior movimentação acadêmica entre os países sul-americanos. O turismo será beneficiado devido ao encurtamento das distâncias entre os países, que permitirá maior contato entre as suas populações. “As distâncias serão encurtadas e será muito mais fácil para o turista brasileiro conhecer as belezas naturais, os pontos turísticos sul-americanos, assim como também para argentinos visitarem, chilenos visitarem Bonito e outros pontos turísticos do Estado”.

Rede Universitária da Rota de Integração Latino-americana (UniRila) conta com aproximadamente 13 participantes, não apenas de países sul-americanos. Cláudio Cavol explica que a rede é uma forma de estabelecer trocas interculturais entre os países que a integram. “Tanto universidades do Paraguai, da Argentina, do Chile, do Brasil, como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, estão compondo a UniRila e todas estão mostrando a cultura de cada região e aprendendo também com a cultura destes povos”.

Construção da Rota

Rota de Integração Latino-americana (Rila) tem como objetivo unir, por meio de uma rodovia, países com margens no Oceano Atlântico e Pacífico. Serão construídas pontes entre Brasil e Paraguai, localizadas em Foz do Iguaçu, no Paraná e na cidade sul-matogrossense, Porto Murtinho. Em 2014, a obra era contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), mas não teve continuidade na época e atualmente é financiada pela empresa Itaipu Binacional, em parceria com o governo paraguaio. Esse é o segundo projeto de integração entre os dois países construído com investimento da hidrelétrica binacional, o primeiro, conhecido como "Ponte da Amizade", foi inaugurado em 27 de março de 1965.

A primeira ponte, localizada no Paraná, terá as obras retomadas este ano e tem previsão de entrega em até três anos e meio. A ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta terá 500 metros de extensão e o projeto inclui a construção de um contorno rodoviário interligado à BR-267, de 11,9 Km, sendo 10,45 Km de pista e 1,46 Km em pequenas pontes de vazão necessárias no trecho, que sofre inundação durante cheia no Pantanal. A previsão de entrega da obra é agosto de 2023.

De acordo com o gerente da Divisão de Imprensa da hidrelétrica binacional, Flávio Miranda os custos das construções das pontes foram divididos entre os países envolvidos. “O acordo prevê que a margem paraguaia de Itaipu vai arcar com os custos de construção da ponte no Mato Grosso do Sul e a margem brasileira entrará com recursos para a ponte em Foz do Iguaçu”.

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