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18 de March de 2018 - 14h14

Pesquisa aponta redução da inadimplência em Campo Grande

Índices de inadimplência diminuíram em 1,3 pontos percentuais em fevereiro de 2018, em relação a janeiro

FERNANDA SANDOVAL, LORRAYNA FARIAS E TALITA OLIVEIRA
Planejamento financeiro reduz índice de inadimplênciaPlanejamento financeiro reduz índice de inadimplência  (Foto: Fernanda Sandoval)

A Pesquisa de Inadimplência e Endividamento do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada em fevereiro pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fecomércio) aponta que o número de endividados aumentou e o índice de inadimplência diminuiu em Campo Grande no início de 2018. O número de endividados passou de 153.616 para 156.216. A quantidade de pessoas que não terão condições de pagar suas dívidas diminuiu de 37.056 para 33.123.

O estudo foi realizado com 500 famílias e indica aumento do endividamento em 0,8 ponto percentual em fevereiro, comparado a janeiro. Em contrapartida a inadimplência diminuiu 1,3 ponto percentual. O número de pessoas com contas em atraso também diminuiu, passou de 88.154 em janeiro para 88.037 em fevereiro.

A economista da Fecomércio, Daniela Teixeira Dias explica que "dívida é o ato de adquirir uma conta para pagar e inadimplência são dívidas que as pessoas não conseguem quitar". Ela explica que também há diferença entre contas em atraso e inadimplência. “O fato de você passar o cartão de crédito para pagar uma fatura no mês seguinte é um tipo de dívida. Contas em atraso a gente considera em torno de até três meses, os inadimplentes são acima de três meses”.

 

Daniela Dias afirma que o fato do endividamento ter aumentado e a inadimplência diminuído influencia no mercado. Segundo ela, as pessoas obtem acesso ao crédito e a intenção de consumo é  feita de forma mais consciente e isso ocasiona na redução da inadimplência. “O consumo que está aumentando, não necessariamente as pessoas estão se endividando sem condições de pagar. Elas estão tendo um planejamento maior para que isso não aconteça”. Daniela Dias destaca que a taxa de inadimplência em fevereiro de 2018 é a menor desde 2014.

 Fonte: Fecomércio (Infográfico: Fernanda Sandoval)

De acordo com o economista Sérgio Torres quando o endividamento das pessoas aumenta pode ser um fator positivo quanto negativo. Ou o índice de empregabilidade com carteira assinada aumentou ou o nível de condições de pagamento diminuiu. "Se eu me endivido é porque na hora da compra eu vi condições de pagar aquela dívida". 

Segundo Torres quando a economia está em recessão é comum as famílias contraírem dívidas e não conseguirem pagar. "As famílias têm contas a pagar, as contas vencem e elas não tem recursos, ou eles são desviados para outros fins e aí a família se torna inadimplente". Para ele, uma reforma na carga tributária do estado e na forma de cobrança de impostos para os empresários são possíveis soluções para o problema.

O instrutor de airsoft e atendente de lanchonete Patrick Borges financiou uma motocicleta no início do ano. O parcelamento do veículo somado ao uso do cartão de crédito resultou numa dívida que o instrutor pretende quitar ainda este ano. Ele planejou pagar as parcelas da motocicleta e custos adicionais, com o emplacamento, atrasaram o processo. Borges usou o cheque especial e a dívida aumentou. Segundo ele, "As pessoas são atraídas para esse tipo de pagamento porque a maioria não tem condições de adquirir bens se não for de outras formas".  

O perfil de endividados tem maior incidência na faixa etária de 21 a 40 anos. O comércio e o cartão de crédito são as principais fontes de endividamento e inadimplência. Para quitar dívidas, Daniela Dias recomenda o planejamento e a renegociação. "A possibilidade de fazer um planejamento é a primeira dica que a gente sempre dá, então se a pessoa conseguir se planejar, colocar numa planilha tudo aquilo que ela tem de despesas, tudo aquilo que ela está devendo e por outro lado as receitas e fazer esse comparativo, ver se ela consegue cobrir, pode ser uma boa oportunidade".

Segundo a economista, "existe a proposta de renegociação taxas de juros ou até mesmo o valor total da dívida". A renegociação funciona no próprio estabelecimento no caso de dívidas em lojas ou nas instituições bancárias no caso de cartões de crédito. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON) também realiza mutirões de renegociação. 

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