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3 de novembro de 2014 - 04h06

Número de contratações para empregos temporários no fim do ano diminuiu em Campo Grande

Salários e expectativa de permanência nas empresas são menores em relação a 2013

AMANDA AMARAL E HANNAH DE MOLINER
Procura por empregos temporários é maior que número de vagas oferecidasProcura por empregos temporários é maior que número de vagas oferecidas  (Foto: Amanda Amaral)

As ofertas de vagas de empregos temporários em Campo Grande (MS) seguiram a tendência nacional com uma expectativa de contratações inferiores as de 2013. O principal motivo apontado por pesquisas de mercado é a baixa projeção da economia neste ano, de 0,27%, segundo dados do Banco Central.

Tradicionalmente o aumento da demanda de funcionários temporários no comércio começa após o Dia das Crianças e se acentua até o Natal. Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que há menos postos de trabalho neste ano. O estudo projetou que até o fim de 2014 aproximadamente 209 mil temporários serão absorvidos para preencher as vagas de emprego disponíveis, número menor que em 2013, quando o SPC Brasil estimou que mais de 233 mil vagas seriam criadas para o mesmo período. As análises foram feitas nas 26 capitais e no Distrito Federal.

Outra mudança em relação a este ano e ao ano passado está nas expectativas de efetivações dos funcionários temporários e nos baixos salários. Pouco mais da metade (51%) das empresas planeja pagar um salário mínimo (R$ 724) ou pouco mais aos contratados. No ano passado, o valor médio estava entre dois e três salários mínimos, segundo a SPC Brasil. Em relação a efetivação, a pesquisa mostrou que, em 2013, 52% das empresas pretendiam fazer pelo menos uma contratação após o término do contrato dos temporários. Este ano, o percentual é de 32%.

Essas informações são confirmadas pelo sistema de controle de vagas da Fundação Social do Trabalho (Fusat). A coordenadora de intermediação da Fundação, Elen Souza, diz que os resultados das pesquisas que apontam queda nas contratações variam, mas que a tendência neste ano aponta para esta situação. “Toda vez que que a mídia fala que a época é aquecida no comércio e na indústria, as pessoas vêm até aqui e se deparam com pouquíssimas vagas. Geralmente em outubro começa essa demanda, já era pra estar aparecendo algum dado relevante”.

Segundo Elen Souza, os empregadores procuram cada vez menos o serviço de intermediação de empregos da Funsat, que não tem custo para as empresas, e isso reflete em estatísticas negativas. “As expectativas de vagas e estatísticas ficam confusas perante o próprio sistema do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, porque para entrar nesse sistema, ou seja, quando há contrato, é preciso mais de um mês de trabalho, e muitas vezes este período trabalhado é menor”. A coordenadora acredita que os números não são maiores devido a outros tipos de processos seletivos, como a contratação direta feita pelas próprias empresas.

Conforme os dados da Funsat, a baixa admissão de funcionários pode ser observada no quadro geral de vagas, pois muitas vezes o empregador não especifica o tipo de posto que oferece, e a Fundação tem dificuldade em separar o que é ou não emprego temporário. O percentual de pessoas que procurou uma vaga de trabalho na Funsat e conseguiu um emprego não passou de 8% na soma dos últimos três anos em Campo Grande. Os dados do infográfico a seguir são de vagas fixas e temporárias, mas demonstram que a oferta de empregos diminuiu.

A auxiliar de cozinha, Neire Rasine Fausto está sem emprego fixo há quase três meses e procura uma vaga que lhe dê uma renda durante os meses em que seus filhos estarão em férias escolares. “Agora que meus dois filhos estarão em casa para cuidar do pai, que está bem doente, tenho esse tempo livre para poder ganhar mais dinheiro para ajudar na recuperação dele”. Mesmo com a procura diária em restaurantes e bares, Neire Fausto ainda não encontrou um trabalho. “Procuro todas as manhãs, de segunda a sábado, por um lugar que queira alguém com a minha experiência. Faço comida para os outros já tem 18 anos, mas ninguém quer contratar com carteira assinada por um tempo curto pra esse tipo de serviço”.

De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), João Carlos Polidoro, “a principal demanda neste período é a de vendedor, mas funções como atendimento, crediário, estoquista, etiquetador, fiscal de caixa, papai noel, promotor de vendas e repositor também estarão disponíveis no comércio”. Conforme expectativa da ACICG, até três mil postos de trabalho temporário podem ser gerados na cidade, mil a menos que 2013.

A estudante de Direito, Geovana Menezes começou a procurar uma vaga de vendedora para fazer uma economia no período em que não terá aulas na faculdade. “Comecei a procurar em shoppings, mas encontrei só duas vagas, estou em processo seletivo, mas esperava encontrar mais oportunidades”.

Segundo a ACICG, as contratações se intensificarão em novembro, para que em dezembro as lojas e indústrias estejam com seu quadro de funcionários completo. A varejista de vestuário Riachuelo, por exemplo, abrirá 50 vagas, sendo pelo menos 15 este mês.  

O empresário Ivo Ribeiro da Silva, proprietário de quatro unidades da loja Le Moulin, iniciou o processo seletivo para 12 pessoas, o que representa em torno de 15% do efetivo de suas lojas. “Por ser um período curto de adaptação, buscamos candidatos com conhecimento mínimo em vendas e que tenham perfil comunicativo e habilidade de relacionamento”.

Para quem está interessado em uma função temporária, o coordenador do programa de qualificação profissional ‘Abre Vagas’, Moacir Pereira Junior, dá algumas dicas. “Ele (o pretendente a uma vaga) não deve encarar como um trabalho passageiro e que vai trazer apenas uma renda extra, e sim como oportunidade real de colaborar com a empresa, aumentando suas chances de permanência. Grande parte das pessoas que trabalham nesse período pode ser efetivada se tiver bom rendimento”.

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