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DÍVIDAS

Campanha de Recuperação de Crédito "Nome Limpo" auxilia consumidores na negociação de dívidas

Associação Comercial de Campo Grande (ACICG) reuniu empresas do comércio da capital para participarem da campanha até dia o 15 de dezembro

Henrique Drobniesvki, Maria Eduarda Leão e Matheus Lima., de Campo Grande20/11/2017 - 09h23
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A 12° Campanha de Recuperação de Crédito "Nome Limpo" é um evento público organizado pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) com o Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC). Do dia 20 de novembro ao dia 15 de dezembro serão oferecidas condições de negociação aos consumidores inadimplentes para regularização de dívidas. A campanha reúne empresas de diferentes segmentos como Águas Guariroba, Anitta Calçados, Empodera Semijóias e outros estebelecimentos. A organização estima mais de 15 mil clientes para quitação de dívidas com o comércio de Campo Grande.

A gestora de negócios da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) e coordenadora da Campanha, Letícia Ribeiro afirma que o evento é realizado há 12 anos e que auxilia na economia local. “O objetivo é incentivar as empresas a prestarem uma condição especial a esse consumidor inadimplente, nesse período, que na verdade é oportunizar a quitação do débito, com redução de juros, redução de multas e um parcelamento prolongado desse débito”.

Letícia Ribeiro explica que a Campanha é realizada em um período estratégico para que o cliente possa saldar suas inadimplências e poder voltar a consumir nas compras de dezembro. “A Campanha tem o objetivo de auxiliar os empresários a recuperarem o crédito e auxilia o consumidor a ter esse crédito novamente no mercado para fomentar as compras no final do ano”. A ACICG organiza o evento por uma semana todos os anos a partir do dia 20 de novembro que se estende até a segunda quinzena de dezembro nas sedes das empresas participantes.

Para a gestora de negócios o descumprimento do pagamento do crédito e a crise econômica agravaram problemas financeiros das empresas de Campo Grande. “Esse é um ano bem difícil para os empresários. A inadimplência aumentou um pouco, a gente sentiu isso. A gente ficou bem pressionado por ter segmentos que nunca nos procuraram antes pra participar da Campanha”.

Empresa e consumidor

 Andrea Barreto afirma que consumidores e lojas perdem com as dívidas.
 (Foto: Maria Eduarda Leão)

A supervisora de crédito e cobrança da empresa de comércio de calçados Anitta, Andrea Barreto informa que o motivo das negocioações serem realizadas no final do ano tem relação com o recebimento do 13° salário dos consumidores e as compras de Natal e Ano Novo. "A maioria das pessoas já tem esse pensamento que final do ano recebem o décimo [salário] e aproveitam para parcelar e quitar suas dívidas. Então a gente vê isso e ajuda elas proporcionando um desconto também". A supervisora explica que a empresa Anitta participa há 11 anos da Campanha de Recuperação de Crédito. "Essa semana nós pegamos um grupo de clientes que estão mais tempo de atraso conosco, um valor x e a gente que sabe que vem outros clientes de fora. [...] A gente está aqui para negociar com o cliente e com o propósito de que se o cliente chegou até aqui é porque ele quer pagar". Andrea Barreto diz que além dos consumidores, as empresas enfrentam problemas em consequência do endividamento dos clientes. "A empresa tenta de todas as formas, mas que prejudica, prejudica! [...] Como têm as pessoas devendo tanto, acredito que as próprias empresas quebram, acabam subindo mais os preços das coisas, só que prejudica tudo em geral e é uma consequência". 

O comerciário Carlos Fernandes trabalha na área de vendas e há três anos se endividou com cartão de crédito. "Eu me endividei com cartão de crédito e eu comprei um imóvel, e acabei dando prioridade para o imóvel. O cartão ficou de lado e daí veio a crise e acabou que o meu salário caiu 50%". Fernandes explica que teve que escolher o que pagar para não ficar com outras dívidas em aberto. "A crise veio e afetou logo o comércio. O primeiro lugar que afeta é o comércio, então quando o meu salário caiu pela metade, tive que escolher o que eu queria pagar". 

Durante esta semana o evento acontecerá na Associação Comercial e Industrial de Campo Grande. A partir da próxima segunda-feira (27) os consumidores em débito devem ir até a sede das empresas participantes. A organização espera receber um aumento de 10% da média de atendimento realizados na campanha Nome Limpo.

Processo judiciário de inadimplência

O advogado e professor universitário, Rafael Sampaio recomenda que empresa e consumidor realizem negociações para saldar as dívidas antes de procurar por uma ação judicial. “Essas negociações diretas com as empresas são como um contrato. As partes vão chegar num acordo e assim você já evita procedimento judicial, que muitas vezes é demorado e pode ser inclusive custoso”. Sampaio afirma que caso a inadimplência seja levada à Justiça, as empresas têm direito de tomar medidas que exijam a cobrança do consumidor. “Ela pode protestar os títulos devedores do cliente, ela pode ingressar com uma ação de cobrança, ela pode tentar executar em juízo desse valor e bloquear os bens do devedor para sanar as dívidas”.

 Advogado Sampaio explica causas de inadimplência no uso do crédito.
 (Foto: Marco Miatelo)

O advogado avalia que os casos mais comuns de consumidores que buscam a Justiça para recorrer por problemas com credores são relacionados a cobranças abusivas e nesse caso a pessoa pode ser ressarcida. “Quando o consumidor é cobrado de maneira excessiva e ele paga porventura, paga esse valor por engano, em juízo ele tem direito da chamada recepetição em débito, ou seja, ele tem o direito de receber em dobro o que ele pagou a mais”. Sampaio afirma que outros casos mais comuns são de clientes incluídos por engano em cadastros de inadimplência. “Acontece de equivocadamente a empresa incluir o uma restrição ao consumidor. Nesse caso, para o consumidor receber a indenização, esse dano tem que ser comprovado. A simples inclusão não gera direito à indenização”.

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