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  Sunday, 19 de August de 2018
 
5 de June de 2018 - 18h42

Mato Grosso do Sul tem 39% da população inadimplente

Aprovação do Cadastro Positivo vai retirar 45% dos endividados da inadimplência

BEATRIZ CAMARGO, ISABELLY MELO E NATÁLIA OLIVEIRA
A instabilidade econômica tem relação direta com a alta taxa de inadimplênciaA instabilidade econômica tem relação direta com a alta taxa de inadimplência  (Foto: Isabelly Melo)

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de Mato Grosso do Sul revelou que 159.332 pessoas estão inadimplentes no Estado, entre eles, 34.733 sem condições de quitar suas dívidas. Os dados são baseados em pesquisa realizada de maio de 2017 a maio deste ano. O cartão de crédito é disparado o sistema de pagamento que mais acumula consumidores endividados, cerca de 63,4%.

O tempo em que as pessoas permanecem inadimplentes é extenso. Ainda segundo a pesquisa, 56,4% dos entrevistados possuem contas em atraso há mais de 90 dias, e 42,6% está com 11 a 50% da renda mensal comprometida por dívidas. A economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fecomércio MS), Daniela Dias, ressalta a consequência da inadimplência no comércio de Campo Grande, que tem relação direta com o acesso ao crédito de empresas.

O texto-base do projeto Cadastro Positivo foi aprovado no dia 9 de maio na Câmara dos Deputados, entretanto precisam votar as mudanças na proposta original antes de ser encaminhado para aprovação no Senado. O projeto funcionará como uma lei que compartilha as informações tanto de consumidores com crédito negativo quanto positivo, o que pode aumentar a concorrência na concessão de crédito para pessoas físicas e pequenas empresas, como forma de reduzir os juros.

Segundo a analista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio de Mato Grosso do Sul, Anderson de Assis Costa, de maio do ano passado para maio deste ano o número de sul-mato-grossenses com contas em atraso aumentou cerca de um ponto percentual e as pessoas que tem contas em atraso e sem condições de paga-las diminuiu em menos de dois pontos percentuais.

A economista Daniela Dias ressalta que é importante voltar a comprar com consciência, sem acumular novas dividas e entrar novamente na lista de inadimplentes, “mais importante do que essa parte de quitar as dívidas tem que ser a retomada de um processo de crescimento, de um processo de recuperação da economia, realmente as pessoas voltarem a comprar, voltarem a ter acesso ao cartão de crédito, por exemplo, de uma forma consciente”.

O controle orçamentário pessoal e familiar é a principal forma de evitar o endividamento, segundo Daniela Dias. Anotar os gastos em uma planilha ou papel ajuda na visualização dos gastos mensais e é possível saber quanto saldo ficará disponível. A economista ressalva que o planejamento auxilia também na escolha da forma de pagamento, mediante as condições de compra é possível identificar se o boleto se encaixa melhor no orçamento ou se o cartão de crédito é mais benéfico.

Elaborado por: Isabelly Melo

Para o sociólogo Paulo Cabral existe uma enorme pressão por consumo. “As pessoas tendem a ser avaliadas pelo que tem e não pelo que são. Os consumistas mais vulneráveis precisam ostentar seus bens, mesmo não tendo bala na agulha”. O sociólogo explica ainda que os financiamentos facilitados com a pressão por consumo e a publicidade criam, segundo ele, a armadilha do endividamento. Cabral destaca que com o aumento do número de endividados, "assiste-se a uma revisão da ética, afrouxando os limites da honra, se o débito é impessoal, com banco, financeira ou loja a vida do devedor segue normal. Mas, se for com um colega de trabalho, amigo ou com o condomínio, pode afetar a sua convivência, pois poderá sofrer o que se chama de sanção social reprovativa difusa, em suma, a desaprovação do grupo”.

O sócio e gerente de uma empresa de motos, Claudinei Alves de Souza, trabalha no ramo há mais de 15 anos e evita receber clientes com restrição de crédito “eles já sabem da restrição e das dificuldades para adquirir o bem e por isso nem tentam comprar”. A empresa disponibiliza a modalidade de consórcio, e em algumas circunstâncias os contemplados não conseguem receber o veículo.

Segundo Alves, a inadimplência de clientes prejudica o andamento de algumas áreas da empresa, quando uma pessoa deseja se tornar cliente da loja é necessário realizar um cadastro, que pode ser negado caso ela possua restrições financeiras devido a dívidas no mercado. Além disso, clientes inadimplentes prejudicam o fluxo de caixa e as condições de parcelamentos oferecidas.

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