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CULTURA

Performance poética na Prefeitura reivindica investimentos na cultura

Teatro do Paço está fechado há 26 anos e representa a precariedade do poder público com a cultura

Fernanda Palheta e Juliana Barros, de Campo Grande29/10/2014 - 09h06
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A abertura do Teatro do Paço é a principal reivindicação do movimento que pleiteia investimentos culturais na Capital. Grupos culturais como o Flor e Espinho, Circo do Mato e Teatro Imaginário Maracangalha fizeram ato poético com cortejo e apresentação teatral na Prefeitura de Campo Grande na sexta-feira, 24.

Durante o cortejo na Prefeitura os manifestantes planejavam entrar pela porta dos fundos, atravessar o saguão e sair na entrada do prédio para apresentação. A guarda municipal impediu a entrada e apenas três pessoas ficaram do lado de dentro. Na entrada principal da Prefeitura, separados pela porta de vidro trancada, os três integrantes foram impedidos de sair do prédio por guardas municipais que estavam sem identificação.

Integrante do Colegiado Setorial de Teatro, a artista Fernanda Kunzler ficou presa dentro da Prefeitura. Segundo ela esta foi uma das ações mais contundentes da guarda municipal, “na última apresentação meu braço ficou com hematomas porque durante uma ciranda de rua a polícia nos pressionou”. A artista relata a postura da guarda e de funcionários quando ficou presa dentro da Prefeitura.

As manifestações se intensificaram nos últimos quatro anos, a entrega simbólica do Teatro do Paço em 2009, representou o compromisso do município com a reforma do espaço que para Fernanda Kunzler, “foi uma brincadeira, um descaso por parte do poder público com nós artistas. Ficou muito óbvio com o fato de terem feito um ato simbólico com a entrega da chave e não terem feito nada depois disso”.

Para o diretor do grupo Maracangalha e membro do Conselho Municipal de Cultura, Fernando Cruz, a reivindicação é por direito a cidade, “a única forma da população ter acesso à cultura é através de políticas públicas que são leis como o 1% para a cultura, o plano municipal de cultura e o sistema municipal de cultura, e não estão sendo respeitadas tanto pelo poder público municipal como pela falta de fiscalização da Câmara Municipal”.

                 Com a saída dos integrantes entraram em cena os palhaços do Circo do Mato (Foto: Fernanda Palheta)

De acordo com Cruz, na reunião do Conselho Municipal de Cultura na última quarta-feira, 22, os representantes da Prefeitura Municipal não participaram. Para o integrante do Grupo Flor e Espinho, Anderson Lima a Prefeitura não tem se posicionado e tem tratado o assunto com descaso, “não tem dialogo com essa administração”. Segundo Lima os prazos de publicações dos fundos de cultura FMIC e FONTEATRO expiraram.

Integrante do Circo do Mato, Mauro Guimarães explica que a manifestação mostra que a cidade tem arte e cultura e pessoas que querem trabalhar e conclui que “queremos que a pasta da cultura seja olhada como uma outra pasta normal, e não uma pasta que serve apenas como regalias de alguns. Estão a usando de uma forma inadequada, promovem shows e passeatas mas esquecem o básico”.

Guimarães afirma que “as pessoas pensam que os artistas querem mais um espaço para apresentar, mas não, nós queremos um teatro Municipal. Nós somos uma das únicas capitais do país sem um teatro municipal em funcionamento”.

A movimentação chamou atenção de algumas pessoas que passavam no local, a faxineira do banco que fica na prefeitura, Cristiane Gomes parou para acompanhar a apresentação e afirmou apoiar as reivindicações dos grupos e acredita que quanto mais pessoas participarem mais eles terão voz, “acho bom porque é pela cultura, falta cultura tanto em Campo Grande como em Mato Grosso do Sul”.

Assista a alguns momentos do ato pela cultura na Prefeitura Municipal.

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