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18 de dezembro de 2016 - 20h57

Taxistas de Campo Grande protestam contra Uber

Movimento apoia aprovação do Projeto de Lei 5587/2016 que protege taxistas e proíbe “transporte clandestino”

GUILHERME SOUZA, JOAQUIM PADILHA, JULIANE GARCEZ
Protesto deixou o trânsito lento na avenida Afonso PenaProtesto deixou o trânsito lento na avenida Afonso Pena  (Foto: Guilherme Souza)

O Sindicato dos Taxistas do Estado de Mato Grosso do Sul (Sintaxi/MS) realizou um protesto para a proibição do serviço Uber em Campo Grande. Segundo o presidente do Sintaxi/MS, Bernardo Barrios a manifestação, ocorrida no dia 7 de dezembro, teve a participação de cerca de 250 pessoas contrárias a circulação do Uber na capital. 

Barrios explica que o ato ocorreu em apoio ao Projeto de Lei 5587/2016, que tramita no Congresso Nacional e prevê a proibição do Uber no Brasil. O sindicalista afirma que todo sistema de transporte deve ser fiscalizado pelo poder público para garantir a satisfação dos usuários. “O aplicativo do Uber vem lesando de forma absurda não só os consumidores mas como todo o sistema de transporte por onde ele se ramifica”. 

De acordo com Barrios, o sindicato organizou o protesto na Avenida Afonso Pena para defender a categoria dos taxistas e mototaxistas. “O Uber opera de maneira ilegal, enquanto os táxis sempre seguiram as leis de transporte em todos esses anos que serviram a sociedade campo-grandense”.

O sindicalista afirma que a categoria está fortalecida para defender seus direitos. “O taxi está demonstrando que ele vai lutar por tudo aquilo que conquistou, estamos mandando representantes à Brasília para acompanhar a aprovação da  PL”. Barrios ressalta que o Projeto de Lei deverá proteger os taxistas e corrigir falhas na legislação atual, que permitem o crescimento do transporte clandestino por meio de meios tecnológicos, como o serviço Uber.

Mototaxistas também participaram do protesto (Foto: Guilherme Souza)

O Presidente do Sindicato dos Mototaxistas, Dovair Boaventura afirma que é contra o serviço oferecido pela Uber na cidade. “Não é justo. Nós mototaxistas pagamos o sindicato, temos que passar por cursos para podemos trabalhar. Não apoio aqueles que entraram de ‘bicão’ no mercado sem realizar os mesmos investimentos. Existem diversos aplicativos, isso não significa ter um aplicativo instalado no celular já pode estar trabalhando livremente”.

O mototaxista Antônio João afirma que o movimento diminuiu após a chegada do Uber em Campo Grande. "É completamente clandestino, não tem preparo, não é profissional. Acho que os taxistas estão no direito deles".

Após três meses da chegada da empresa a Campo Grande, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) iniciou ação para multar os motoristas que prestam serviço à Uber. A multa é de R$ 191 e quatro pontos na carteira de habilitação.

O advogado João Henrique Catan entrou com uma ação popular contra a prefeitura de Campo Grande, para que o serviço permaneça na cidade sem a aplicação de multas. “O que precisa ser esclarecido é que a Lei de Política Nacional de Mobilidade Urbana, regulamenta tanto o Uber quanto o sistema de Táxi, a diferença é que ela classifica o táxi como sendo transporte público individual e o Uber como sendo transporte motorizado privado”.

Segundo Catan, os funcionários da Agetran interrompem as corridas feitas pelo serviço Uber e solicita que o passageiro complete o percurso com um táxi . “Essas atitudes recentes impedem o direito do consumidor de escolher o serviço, e o causam atrasos e constrangimentos. O que motivou o ajuizamento da ação são os abusos cometidos pela Municipalidade, que nem mesmo possui competência para legislar sobre a matéria”.

Carreata percorreu ruas da capital (Foto: Guilherme Souza)   

O estudante Nicolas Lopez afirma que gosta de utilizar o serviço de Uber. “Eu raramente utilizava táxi para me deslocar na cidade, mas desde a chegada do Uber tenho usufruído do serviço com frequência. As corridas são pelo menos metade do preço em relação ao táxi, eu recebo o registro do motorista pelo aplicativo e posso avaliar seu desempenho depois do serviço”.

Para Lopez, as manifestações tiveram impacto no serviço do Uber. “Na última vez que utilizei o Uber, o motorista me pediu para sentar no banco da frente e deixava o celular no colo ao invés do painel, como é o costume, para não ser identificado pela Agetran e por taxistas.”

O condutor que presta serviço à Uber, de 42 anos, que não quis se identificar, afirma que sofreu ameaças de taxistas. "Eu estava indo para a porta de uma balada, quando um táxi passou por mim arrancando. Peguei os passageiros e quando ele passou por mim de novo, disse que iria me dar uma surra se eu voltasse ali. Eles querem resolver a situação na mão, na porrada”. 

Segundo o motorista, o serviço do Uber chegou em Campo Grande no dia 22 de setembro de 2016 e, com a adesão de mais de 300 motoristas, a empresa faz concorrência aos demais sistemas de transporte da cidade, devido sua praticidade e preços baixos. O serviço é solicitado por um aplicativo no celular e monitorado pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS) do aparelho.

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