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8 de agosto de 2016 - 01h24

Taxistas auxiliares são favoráveis ao Uber e Sintáxi/MS desaprova ação

A Assotáxi/CG solicitou à prefeitura para que o Uber seja autorizado a atuar em Campo Grande

GABRIELA DE CASTRO, JULIANA CRISTINA E MAYARA BAKARGI
Taxistas permissionários são contrários ao serviço do UberTaxistas permissionários são contrários ao serviço do Uber  (Foto: Gabriela de Castro)

O diretor presidente da Associação dos Taxistas Auxiliares de Campo Grande (Assotáxi/CG), José Carlos Áquila, entrou com o pedido na prefeitura para que o serviço do Uber possa ser autorizado na capital. O Sindicato dos Taxistas do Estado (Sintáxi/MS), segundo o diretor administrativo, Fernando Yonaka, tem resistência ao serviço desde 2015, e é contra a solicitação devido a ampliação da concorrência.

José Carlos Áquila, trabalha há 11 anos como taxista, e é favorável ao  Uber na capital. José Carlos explica que há muitos anos ele solicita a fusão entre os taxistas auxiliares e permissionários, mas o presidente da Sintáxi/MS não aceitou suas propostas.


Aquila aprova serviço de Uber (Foto: Gabriela de Castro)

“A Assotáxi é a associação para os taxistas auxiliares. Os taxistas permissionários é quem tem o alvará, mas isso não significa que ele é o dono e manda nos taxistas auxiliares. Ele pode até ser o dono do carro, mas não dono do seu colega de trabalho. O auxiliar é quem mais trabalha e nós da Assotáxi cuidamos dos direitos e melhorias para ele. Já a maioria dos donos de carros são associados da Sintáxi, entendeu? Somos 750 trabalhadores contra 332 da Sintáxi.”

Áquila fez o pedido à Prefeitura Municipal em junho deste ano e o atual prefeito disse que iria estudar o caso. “O prefeito de Campo Grande está para liberar o alvará, desde a volta dele da cassação e ele sempre na promessa. O pessoal está cansado de esperar. Estamos aderindo ao Uber, que é um meio mais fácil e cada um terá seu próprio negócio. Nós que já conhecemos a cidade, o sistema como taxista, tendo seu próprio carro, você tem seu próprio negócio. Você acaba sendo tipo um 'MEI', microempreendedor individual”.

Aquila afirma que os responsáveis pelo Sintáxi/MS estão preocupados com o pedido feito para a prefeitura da capital. “O cara que tem uma frota de 30, 40 carros, vai encostar os carros, porque aquele que puder trabalhar por conta, não vai ficar lá. Então, aquele fluxo financeiro, vai cair, porque a competitividade vai aumentar. O Uber vindo pra cá, o tratamento será diferente. Tem que ter um perfil, com atendimento diferenciado, frigobar dentro do carro, pode dar água gelada ao passageiro, cativar o passageiro, agora no taxi não tem como, como é que ele vai pagar do bolso dele isso aí? Fica inviável”.

O diretor administrativo do Sindicato dos Taxistas do estado, Fernando Yonaka, diz que é necessário um trabalho em conjunto com o poder público, fiscalização e normas para um melhor atendimento aos usuários dos táxis. Segundo o diretor, há 490 carros nas frotas da capital que possuem pontos específicos e números dos alvarás que são identificados nos automóveis. “Ainda não tentaram trazer o Uber para cá, parece que são para cidades com mais de um milhão de habitantes, mas a gente acha totalmente desleal, a Uber cobra em torno de 25% do faturamento bruto do carro. É fácil né, uma empresa americana chega aqui, te cobra 25%. Você fez 100 reais e vai receber 75.”

De acordo com Yonaka, o ponto negativo, seria que qualquer pessoa poderia ser motorista do Uber e o taxista tem habilitação, cursos, carros devidamente caracterizados e identificados com placa vermelha. “Caso aconteça de algum taxista ser mal-intencionado, o que acredito que não aconteceu, existe toda uma identificação, as ligações são registradas e rapidamente saberíamos todos os dados do motorista que agiu de forma inadequada”.


De acordo com dados da página na internet Planeta Sustentável, no Uber o trajeto é uma soma da tarifa base, dos minutos gastos na rota e da distância percorrida em quilômetros. Nos táxis comuns, também existe a "bandeirada", valores diferenciados conforme horário e a quilometragem, mas a tarifa por tempo, chamada de “hora parada”, é cobrada apenas quando o carro estiver parado no semáforo ou em algum congestionamento, por exemplo.

Os táxis comuns usam o conceito de bandeiras. Em determinados casos, como nos finais de semana, feriados municipais ou madrugadas, entra em vigor a bandeira dois, quando há um acréscimo de 20% a 30% na tarifa por quilômetro percorrido. O Uber não possui “bandeiras”, mas preço dinâmico, quando muitas pessoas pedirem um Uber e não houver motoristas suficientes, a tarifa fica mais cara. Segundo a empresa, isso é feito para equilibrar a demanda e garantir que todos consigam ser atendidos, quem quiser pagar mais pode solicitar um motorista imediatamente; quem julgar o preço muito alto pode pedir para a empresa Uber enviar uma notificação quando a tarifa baixar.

Em Campo Grande, a Coopertáxi MS, além de ter lançado o aplicativo com a pretensão em ter um padrão Uber de atendimento, a empresa criou o 'Táxi Prime', onde o motorista estará bem vestido com sapato social preto, carros novos (2015), sempre limpos e uma recepção diferenciada, tudo isso no mesmo valor do serviço dos táxis convencionais. 

O motorista do Táxi Prime, José Eulálio Sales Moreno, acredita que a o Uber não beneficiará os taxistas da capital. Se a empresa oferecer o serviço em Campo Grande, ele não pretende aderir. “Eu não trocaria o táxi pelo Uber, porque ele não obriga você pagar o INSS, ele não obriga você a se cadastrar como taxista legalizado”.

Taxista há mais de 24 anos, Cleilson Taveira de Oliveira, é contra o serviço do Uber na Capital. Oliveira acredita que a empresa não trará vantagem para os auxiliares devido a demanda ser pequena na Capital e afirma que o táxi ainda é o melhor meio de transporte para a população.

O acadêmico de engenharia civil, Tiago Monreal, diz que sua primeira experiência com a novidade foi melhor do que havia imaginado.

A advogada Bianca Santos, conheceu os serviços do Uber na cidade do Rio de Janeiro e afirma que o serviço é melhor e mais acessível.

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