CHUVAS

Sistema de Alerta de Desastres da Defesa Civil tem baixa adesão em Mato Grosso do Sul

Cerca de 20 alertas foram emitidos em Campo Grande nos últimos 30 dias

Jean Celso, Jhayne Lima e Leticia Marquine, de Campo Grande19/03/2019 - 14h42
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Mato Grosso do Sul possui 40.917 celulares cadastrados no Sistema de notificação de alertas de desastres via SMS comparado ao total de 3,09 milhões de celulares ativos, conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Campo Grande está entre as três cidades com maior número de aparelhos registrados, 55% do total, em seguida Dourados com 6,6% e Três Lagoas com 5%. O sistema desenvolvido pela Anatel, Secretaria Nacional de Defesa Civil e Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), em parceria com as operadoras de telefonia móvel, está em funcionamento no Estado desde 15 de janeiro de 2018.

De acordo com o coordenador Estadual de Defesa Civil, Tenente Coronel Fábio Santos Coelho Catarineli o trabalho desenvolvido pelas instituições no monitoramento meteorológico e emissão de alertas para a população é uma ferramenta preventiva que aumenta a percepção de risco das pessoas que recebem os avisos. “Através da Lei de 2015, tornou-se obrigatório informar a população quando tem situações de desastres. É uma forma de você preparar, alertar a população para que ela tome medidas preventivas e evite os danos, tanto em relação à integridade física, como também em relação a bens materiais”.

Catarineli esclarece a baixa adesão de cadastros em MS (Foto: Jean Celso)

O sistema foi desenvolvido para atender a Resolução da Anatel Nº 656, de 17 de agosto de 2015 que aprovou a regulamentação para ações de prevenção em áreas de risco de desastres e atinge a área de todas as cidades e distritos do estado. Catarineli explica que a rotina da Defesa Civil passou por modificações após a implantação do sistema. “A gente já realizava o monitoramento meteorológico e hidrológico do estado, mas isso teve que se intensificar para ter uma precisão maior na emissão dos alertas, então aumentou-se nosso nível técnico”.

A Defesa Civil enviou alertas de onda de calor, alertas de tempestades e chuvas intensas. Entre os meses de outubro e fevereiro foi o período com mais avisos enviados. A meteorologista e coordenadora técnica do Centro de Monitoramento do Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS), Franciane Rodrigues explica que fatores como zona de convergência de umidade, zona de convergência do Atlântico Sul e transporte de umidade de regiões como a Amazônia favorecem a formação de nuvens de chuvas. “Quando a umidade de uma região e frente fria de outra se encontram, acabam alinhando as instabilidades e formando as chuvas”.

 Campo Grande registrou pontos de alagamento durante fevereiro (Foto: Katlyn Ramos)

Franciane Rodrigues explica que o alerta emitido é confundido com a previsão do tempo e que as informações enviadas são muitas vezes ignoradas pela população. “As pessoas recebem o SMS no celular, olham para o céu, o tempo está aberto e falam que não está acontecendo nada, mas vai acontecer. A gente olha os modelos e vê que a chuva vai acontecer em determinado horário, mas a gente não coloca o horário e sim um determinado tempo onde a chuva vai acontecer em regiões específicas”.

A meteorologista afirma que o sistema é desenvolvido pelo trabalho integrado entre Defesa Civil e Cemtec/MS para evitar acidentes e prejuízos. A adesão do cadastro no estado ainda é pequena. “A gente observa, daqui sai a informação para todas as Defesas Civis do estado, todos os municípios ficam informados e na véspera do evento, quando o evento é confirmado, a gente pede para que o evento seja enviado para a população”.

As nuvens de tempestades observadas durante o verão são acompanhadas de raios e provocam alagamentos devido à intensidade de chuvas. De acordo com dados do Cemtec/MS, em fevereiro de 2019 houve maior volume de chuva em Mato Grosso do Sul se comparado ao mesmo mês em anos anteriores, o que provocou alagamento em diversas regiões de Campo Grande.

INFOGRA  Elaborado por: Leticia Marquine

O empresário Keider Rodrigues da Silva desconhecia a existência do sistema de alerta e o seu estabelecimento comercial foi um dos pontos atingidos pelo alagamento causado pela chuva do último dia 26. “Tive o prejuízo do motor do freezer, tive que quebrar uma parede para esvaziar a água que estava alagada e a mão de obra da limpeza da tubulação de rede de energia que ficou cheia de água”.

O cadastro no sistema de alerta é gratuito e é feito por meio do envio do Código de Endereçamento Postal (CEP) da residência para o número 40199. Após o envio, uma mensagem de confirmação é emitida pela operadora de telefonia móvel e a pessoa passa a receber os alertas de chuvas intensas, ventos fortes, onda de calor, baixa umidade e outros fatores que podem provocar desastres.

Os alertas são emitidos por município com mensagens de, em média, 146 caracteres com recomendações básicas sobre o que fazer durante um desastre. Algumas dicas são para evitar áreas de alagamento, evitar estacionar o veículo próximo a placas de propaganda e de torres de transmissão, evitar se abrigar embaixo de árvores e permanecer dentro do veículo durante queda de raios.

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