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5 de dezembro de 2016 - 15h19

Mato Grosso do Sul terá núcleo de combate ao tráfico de drogas fronteiriço

Coronel Sapucaia, na fronteira com Paraguai, está entre as cidades mais violentas do país

ANA CAROLINA PLANEZ, LORAINE FRANÇA E LAURO BURKE
Rota de tráfico de drogas está localizada nas cidades de fronteira com a BolíviaRota de tráfico de drogas está localizada nas cidades de fronteira com a Bolívia  (Foto: Loraine França)

Campo Grande terá o primeiro núcleo de combate ao tráfico de drogas nas regiões fronteiriças, criado pelo Governo Federal, para aumentar a fiscalização nas áreas com os maiores índices de criminalidade do Brasil. A segurança nas fronteiras foi tema de audiência pública realizada no dia 2 de dezembro, na Assembleia Legislativa, que debateu as consequências da falta de fiscalização e investimentos pela União.

O estado de Mato Grosso do Sul possui 44 municípios em 1,5 mil quilômetros de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), o município de Coronel Sapucaia, localizado a 390 km de Campo Grande, está entre as cidades mais violentas do país, com taxa de 102,31 homicídios para cada 100 mil habitantes. A cidade está localizada na fronteira com o Paraguai e as mortes são ocasionadas, principalmente, pelo tráfico de drogas.

Para o conselheiro do Ministério das Relações Exteriores, Gabriel Boff, os altos índices de criminalidades ocorrem devido à rota de passagem do tráfico de drogas, localizada nas cidades de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. “Fazemos parte de uma integração produtiva, de uma cadeia produtiva de criminalidade, que é uma cadeia mundial. É um tema também de política externa, da agenda internacional e que vem sendo tratado há muitos anos”. 

Segurança nas fronteiras é tema de Audiência. Foto: Loraine França

O deputado estadual, Carlos Alberto David afirma que para aumentar a segurança nas fronteiras é preciso, além de uma ação mais efetiva da União e das Forças Federais, a colaboração dos países fronteiriços, para impedir que as armas e munições entrem no estado e que sejam enviadas para outros centros urbanos do Brasil e para o exterior. “Temos que trazer um novo componente para essa discussão que é a participação do Ministério das Relações Exteriores a fim de que possamos ter uma colaboração bilateral junto com os demais países que fazem fronteira com Mato Grosso do Sul”.

Integração

De acordo com o artigo 144 da Constituição Federal brasileira, a segurança pública é dever do Estado, e direito de todo cidadão. Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Luiz Alexandre Gomes da Silva é preciso aumentar os investimentos para melhorar a segurança da população. “O Estado tem que estar em condições de se integrar e atuar no combate ao crime. O que nós precisamos é investir mais nas polícias, nos órgãos de sistema de segurança pública”. 

Para o presidente do Idesf, Luciano Stremel é preciso que o país tenha como uma das prioridades o desenvolvimento social e econômico das fronteiras brasileiras. “A partir do momento que nós tivermos desenvolvimento econômico e social nessas áreas de fronteira, nós certamente não teremos a criminalidade. Porque onde o Estado se instaura, onde as empresas estão presentes, onde há mão de obra e pessoas trabalhando formalmente, o crime não consegue se instalar”.

 

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