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29 de janeiro de 2017 - 22h20

Retirada de moradores de rua em Campo Grande demanda reforma do Cetremi

Prefeitura Municipal vai retirar os moradores em situação de rua da região central em até 100 dias e encaminhá-los ao Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante (Cetremi)

CAMILA VILAR E JÚLIA VERENA
O Cetremi oferece hospedagem e alimentação para migrantes, imigrantes e moradores de ruaO Cetremi oferece hospedagem e alimentação para migrantes, imigrantes e moradores de rua  (Foto: Camila Vilar)

A Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) iniciou a retirada dos moradores de rua do centro de Campo Grande. Os moradores serão encaminhados para o Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante (Cetremi) e ao Centro de Referência Especializado em Assistência Social para População em Situação de Rua (Centro Pop). A proposta faz parte do plano de gestão do prefeito da capital, Marcos Trad e tem como objetivo retirar todos os moradores com o prazo de até 100 dias. Além disso, o Cetremi foi incluído na lista de prédios mantidos pela prefeitura que serão reformados.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Maria Angélica Fontanari a prioridade é atender as pessoas que dormem nas ruas e avenidas do centro da capital. “Nesses 100 primeiros dias nós queremos atender o centro da cidade, depois dos 100 dias nós vamos estender para todos os bairros, mas a grande concentração [de moradores] é no centro da cidade”. De acordo com a secretária da SAS, o principal desafio é convencer os moradores que rejeitam a ajuda da instituição. “A maioria tem algum vício. Seja de álcool ou droga ilícita, por isso eles acabam fugindo de casa. O que nós estamos tentando é redirecioná-los a algum centro de recuperação”.

De acordo com a assessora de comunicação da Prefeitura, Mayara Sá o objetivo da reforma do Cetremi é aumentar o número de atendimentos no local porque, atualmente, o centro tem capacidade para dar assistência a até 100 pessoas. “Os moradores não são realocados, eles são acolhidos.  O Cetremi é um centro de passagem e, por isso, o papel da assistência é acolhê-los, dar a oportunidade de voltarem para casa”.

A reforma terá como prioridade a separação entre as alas femininas e masculinas e a ampliação da lavanderia. Segundo Mayara Sá, os custos da obra ainda não foram avaliados e não há previsão para o início da reforma. “Não há como prever orçamento antes fazer o levantamento de tudo que será necessário ser feito”.  

Segundo o desempregado João Carlos da Silva, 25, que há cinco meses dorme nas ruas da capital, a proposta do prefeito Marcos Trad é importante. “Eu acho muito bom, interessante mesmo. Ainda mais se eles oferecerem possibilidade de emprego, com assistente social, para sermos reconhecidos como gente”.  Ele afirma que a prefeitura tem que investir na segurança do Cetremi e não só na reforma do prédio. “Para lá eu não volto. Já fui lá três vezes. Não tem cobertor, o colchão é todo furado. Não tem segurança, entra droga, bebida, faca”.

O coordenador do Cetremi, Eli Rangel afirma que não há falta de segurança no abrigo. “Bebida aqui dentro é super proibido. Se ele sair e entrar dez vezes com uma bolsa, essa bolsa será revistada. Droga aqui dentro não tem como, porque nós temos a Guarda Civil Municipal que está aqui 24 horas”. 

O motorista Anderson Ribeiro, 46, mora há 26 anos na capital. Segundo Ribeiro, há sete anos ele foi morador de rua e frequentou o Cetremi.  “Eu sou do Rio de Janeiro. O Cetremi me deu uma oportunidade de seguir minha vida. Me deu apoio onde eu podia dormir, comer, lavar a roupa e fazer a higiene pessoal”. O motorista afirma que abrigos para moradores de rua e para os migrantes e imigrantes dão oportunidades para sair da situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Hoje eu tenho minha casa própria, tenho meu carro, meu serviço, né? Não tenho mais vícios, nenhum”.

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