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19 de September de 2017 - 15h52

Primeira Geladeira Solidária é inaugurada em Campo Grande

Projeto pretende atender pessoas em situação de necessidade com doação de alimentos e água no centro da capital

HENRIQUE DROBNIEVSKI, MARIA EDUARDA LEÃO E MATHEUS LIMA
Geladeira Solidária está abastecida e disponível para população campo-grandense.Geladeira Solidária está abastecida e disponível para população campo-grandense.  (Foto: Henrique Drobnievski)

A primeira Geladeira Solidária foi inaugurada por membros da Paróquia Nossa Senhora da Abadia, no dia 16 de setembro em Campo Grande. A iniciativa pretende auxiliar pessoas na região central sem condições para comprar alimentos ou bebidas. A geladeira fica 24 horas por dia à disposição da sociedade e foi instalada no estacionamento da clínica veterinária Pets Cão, localizada na rua 15 de novembro, número 2495. No Brasil mais de 10 municípios implantaram geladeiras solidárias como Belém (PA), Goiânia (GO), Salvador (BA), Taubaté (SP) e Joinville (SC).

A empresária Laura Reimer é uma das organizadoras da Geladeira Solidária e explica que a equipe é composta por 15 pessoas voluntárias do projeto e se dividem na inspeção da geladeira. A empresária esclarece que a primeira geladeira foi doada e que todos os custos relacionados ao projeto são pagos pela equipe. “A adesivagem através de normas, pintar, instalar, a eletricidade também. Todos os custos foram pagos através desse grupo”. Para abastecer a geladeira solidária existem normas de doação, que estão na porta do eletrodoméstico, e devem ser seguidas para que não haja consumo de alimentos vencidos. "A gente tem uma equipe que passa diariamente na geladeira e verifica para que sempre o alimento seja bom para o consumo".

 Comunidade abastece a geladeira. (foto: Henrique Drobnievski)

Laura Reimer diz que o projeto tem a parceria de restaurantes e pizzarias próximas ao local onde está instalada e que representantes desses estabelecimentos ajudam a abastecer a geladeira. “A gente tem uma parceria com alguns restaurantes, porque a ideia é manter sempre a nossa geladeira cheia”. A empresaria diz que a comunidade também pode ajudar. "Qualquer pessoa pode vir colocar seu alimento. Uma fruta, um pedaço de bolo, enrola ele em um insulfilm, põe a data e traz pra nossa geladeira".

De acordo com a organização, o intuito é ajudar quem passa pela região, independente do nível social. "Essa geladeira, a gente teve a ideia não só de agregar os moradores de rua e sim a nós, a mim e a você". A empresária afirma que o grupo pretende ampliar o projeto e revela que a primeira geladeira não será a única. "Nós já estamos com mais duas geladeiras para implantar. A gente conseguiu um mercado, porque a pessoa chega e vai lá e compra alguma coisa e já coloca na geladeira e a outra em frente a uma loja de motocicletas".

A aposentada Rute Carneiro utiliza a geladeira desde a fase de teste, no inicio de setembro, e afirma que a iniciativa é muito boa para ela que trabalha com recolhimento e reciclagem de alumínio no seu tempo livre. "Sou aposentada já, mas eu saio fim de semana pra recolher minhas latinhas, para eu me exercitar e ter um dinheirinho a mais, sabe?".

 Rute Carneiro utiliza a geladeira aos finais de semana.
(foto: HenriqueDrobnievski)

Rute Carneiro comentou sobre o projeto com seus familiares, e demonstrou receio que pessoas em situação de rua possam vandalizar a geladeira. "Nossa eu achei bom, ainda comentei com minha filha, achei uma beleza, pena que alguns moradores de rua não vão deixar, porque eles esculhambam tudo".

A proprietária da clínica veterinária, Thais Lageano faz parte da equipe de voluntários que mantém o projeto. Ela cedeu o espaço do estacionamento da sua propriedade para a instalação do eletrodoméstico. O local reservado à geladeira possui estrutura de metal fixa em uma base de cimento, tem cobertura contra chuva e uma lixeira ao lado para o descarte de embalagens. A proprietária acredita não ter preocupações para a segurança da geladeira, pois a clínica veterinária possui atendimento 24h por dia. "Estamos propícios a tudo, mas por enquanto não tivemos problemas. Acho que por ser um bairro nobre dificulta um pouco, ainda mais que temos cameras dos dois lados".

Thais Lageano explica que o fluxo de alimentos da geladeira é bem intenso, porém as pessoas que utilizam a geladeira não gostam de chamar atenção. "A gente não vê movimento, não tem aglomeração, não tem muita gente, mas a entrada e a saída de alimentos da geladeira é muito grande".


 

O pároco da Igreja Nossa Senhora da Abadia, padre Paulo Sérgio Vital da Cruz realizou uma cerimônia de benção ao local onde foi inaugurado do projeto Geladeira Solidária. Ele afirma que o projeto é parte de diversas outras atividades filantrópicas realizadas pela comunidade da paróquia neste ano. “Era um anseio da comunidade e também meu da paróquia ter projetos sociais.

   Padre Paulo inaugura geladeira solidária. (Foto: Henrique Drobnievski)

Cruz aponta a importância do projeto como uma forma de influenciar e estimular a criação de outras atividades beneficentes em Campo Grande. “Para nós que somos religiosos, é uma forma de caridade, porque um dos mandamentos de Jesus é dar pão a quem tem fome”. Cruz diz estar feliz e satisfeito com o trabalho de sua comunidade. “Isso enche a gente de orgulho, a gente vê o resultado disso nas vidas das pessoas. Nos traz muita satisfação e um sentimento de dever cumprido”.Este ano surgiu esse projeto da geladeira, surgiu também um projeto para fazer enxovais para bebês”. Além disso ele afirma que a intenção das ações é auxiliar nas necessidades das pessoas. “São várias iniciativas em prol dos necessitados, seja na questão de alimentos, de roupas e também medicamentos”.

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