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  domingo, 17 de dezembro de 2017
 
7 de novembro de 2017 - 11h03

Prefeitura realiza mapeamento da violência contra a mulher em Campo Grande

O Mapa da Violência contra a Mulher em Campo Grande de 2017 apresentará os índices de violência da capital por região, distrito e perfil da vítima

MARCELLE MARQUES, MARIA PAULA GARCIA, DANIEL CATUVER
Subsecretaria de Políticas para a Mulher situada na Rua 15 de novembro 1373Subsecretaria de Políticas para a Mulher situada na Rua 15 de novembro 1373  (Foto: Marcelle Marques)

A Subsecretaria de Políticas  para a Mulher (Semu) realiza o primeiro mapeamento da violência contra a mulher na capital. O Mapa da Violência contra a Mulher em Campo Grande/MS – 2017 apresentará os índices de violência da capital por região, distrito e perfil da vítima. O mapa deve ser elaborado no prazo de doze meses e custará R$ 300.000,00. No ano de 2016, 6,5 mil casos de violência contra a mulher foram registrados na Delegacia de Atendimento à Mulher em Campo Grande.

Segundo a assessora de Ações Temáticas da Subsecretaria de Políticas para a Mulher (Semu), Marina Rosa Bragança o mapeamento terá dados da Casa da Mulher Brasileira. A empresa que produzirá o Mapa também utilizará os dados registrados pela  Secretaria Municipal de Saúde, Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher, Promotoria de Justiça, Defensoria Pública, 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e Núcleos de Estudo da Violência. Marina Rosa Bragança afirma que “por ausência de um mapeamento que aponte, minimamente, os números da violência, e por entender que uma política pública deva ter como base um diagnóstico situacional, torna-se relevante a realização do mapeamento”.

A expectativa é de que a Semu tenha um diagnóstico completo da situação de violência que vitimiza as mulheres campo-grandenses e planejar ações “que venham se caracterizar pela eficácia, eficiência e efetividade, além de dispor de um banco de dados a ser alimentado, atualizando as informações”. A assessora de Ações Temáticas da SEMU, Marina Rosa Bragança afirma que o único dado do qual eles dispõe atualmente é o número de 13.151 mulheres que passaram pela Casa da Mulher Brasileira, no ano de 2016.

A técnica do Núcleo de Enfrentamento a Violência da Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, Rebeca Mendes afirma que  mapear a violência contra a mulher é importante para se ter um ponto de partida e conhecer o perfil das denúncias. “É violência doméstica contra a mulher, é o feminicídio? O que está acontecendo mais no município?”.

Para a técnica do Núcleo de Enfrentamento à Violência, Amélia Luna a violência contra a mulher acontece em todas as classes sociais. "As mulheres com maior poder aquisitivo sofrem violência e não assumem, pois preferem resolver de maneira mais discreta para não gerar escândalos e, até mesmo, para não perder o prestígio, por isso a maioria dos registros são de mulheres com vulnerabilidade social".

A socióloga Ana Maria Gomes afirma que o machismo é a principal causa da violência contra a mulher. “A mulher tem os salários mais baixos, tem que cuidar dos filhos, fazer o trabalho doméstico. Isso faz com que os homens se sintam legitimados a exercer violência, física ou psíquica, contra a mulher. E não só contra a sua mulher.” Ana Maria Gomes ressalta que a violência contra a mulher é uma relação social construída culturalmente, por isso em determinados locais há mais violência que outros.

Maria da Silva* casou-se pela primeira vez antes de completar 18 anos e o Ensino Médio. “Me casei com aquela esperança de viver para sempre como todas as pessoas que se casavam na minha época porque eu vim de uma geração que a filha era educada para casar, que o futuro  das filhas, segundo a maioria dos pais da época de 1970, 1980, ainda era o casamento”. Devido a isso, ela  relata que se tornou dependente do marido e vulnerável. “Eu achava que o comportamento abusivo dele sempre foi normal, que era coisa da minha cabeça. Eu não tinha a informação que tenho hoje. Antes não existia delegacia da mulher”. Além da falta de informação, Maria da Silva* ressalta a violência psicológica como um motivo para suportar o abuso no casamento de cinco anos. “A maior violência que eu sofri foi a violência psicológica. Aquela violência que a pessoa faz você acreditar que não é capaz, que o que você quer não tem importância, que seus valores não são necessários que você tem que se contentar com aquele pouco, que você é uma pessoa que não vai crescer. Você acaba aceitando isso, levando isso para a sua vida e se prejudica”. Ela afirma que perdeu qualquer perspectiva no futuro durante esse período, pois a violência emocional a afetava muito.

Serviço


Denúncias de violência contra a mulher devem ser feitas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, no disque-denúncia 180, no Centro de Atendimento à Mulher, na Ouvidoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

*Nome fictício para preservar a identidade da fonte

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