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ONG cria república para acolher pessoas LGBTs abandonados pela família

Casa Satine passa a abrigar comunidade LGBT abandonada pela família a partir de maio e os principais serviços oferecidos serão moradia, orientação psicológica e profissional

Douglas Ferreira, Ighor Avanci e Silvia Souza, de Campo Grande12/03/2018 - 15h08
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A ONG Casa Satine iniciou o projeto de acolhimento provisório para pessoas LGBT+ expulsa pela família devido a sua orientação sexual. O coordenador do projeto, Leonardo Bastos explica que a Casa Satine - República de Acolhimento e Espaço Cultural será destinada para pessoas maiores de 18 anos em condições de vulnerabilidade, elas terão acesso a moradia temporária, educação, movimentos artísticos e culturais, como danças, palestras e exposição de quadros.

O espaço da Casa Satine acolherá no máximo 16 pessoas. A intenção é ressoscializar o indivíduo atendido pelo projeto com ajuda de uma equipe multidisciplinar que será responsável pela triagem. Psicólogo, assistente social e advogado farão parte do processo de avaliação para a acolhida da pessoa pela ONG.

Campo Grande é sede de um dos cincos Conselhos Estaduais de Direito LGBT existentes no país e  há ausência de dados acerca da população LGBT no estado. A  última pesquisa foi realizada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos no ano de 2013 e registra que no estado de Mato Grosso do Sul foram denunciados 21 casos de lgbtfobia. 

O Grupo Gay da Bahia, coordenado pelo professor Luiz Mott, aponta que em 2017 no Brasil  foram mortos por lgbtfobia 445 pessoas, uma a cada 20 horas, número que coloca o país lider no ranking de  maior índice de assassinatos de LGBTs no mundo.

O projeto "Casa Satine - República de Acolhimento e Espaço Cultural" ajudará pessoas em situações de vulnerabilidade, como a do acadêmico de jornalismo Gabriel* expulso de sua casa pelo pai ao assumir sua sexualidade quando completou 18 anos em 2016. Segundo Gabriel* “desde o ensino médio ele [pai] foi muito agressivo, cansei de ir de olho roxo à escola”. O estudante fez campanhas para arrecação de dinheiro para manter os custos do tempo que morou sozinho. “Atualmente eu voltei a morar com minha mãe porque eu fui assaltado, levaram tudo lá de casa, então está bem complicado. Aqui eu moro com minha mãe, irmã e irmão e com meu pai, e ele finge que eu não existo em casa”.

Segundo o professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Guilherme Passamani a ausência de pesquisas demográficas acerca da população LGBT é decorrência da falta de interesse público em proteger o grupo. “É mais interessante para as instituições do estado manter a invisibilidade dessa população do que começar a promover políticas públicas que as resguardem, porque ai você é obrigado a admitir que essas pessoas existem”.

Serviço

Pessoas interessadas pelos serviços prestados pela ONG Casa Satine devem acessar a página no Facebook. Para colaborar com a república Casa Satine o doador deve acessar a página na internet da Benfeitoria.

*O nome foi alterado para preservar a identidade da fonte.

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