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SAÚDE PÚBLICA

Corte de 70% nos plantões odontológicos das Unidades Básicas de Saúde foi suspenso

Profissionais da categoria conseguiram uma reavaliação da Secretaria Municipal de Saúde dos cortes nos plantões aos sábados

Bárbara Cesaretto, Ketlen Gomes e Vitória Teslenco, de Campo Grande13/11/2017 - 00h54
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O corte de 70% dos plantões odontológicos aos sábados na Rede Municipal de Saúde da capital foi suspenso. A medida foi fundamentada na análise feita pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (SESAU), que apontou plantões excedentes sem efetividade no atendimento à população. No início do ano, houve corte de mais de quatro mil horas dos postos de atendimento em todas as áreas da saúde para diminuir gastos da prefeitura.

 

Sindicato dos Odontologistas e a Associação dos Odontológos da Prefeitura Municipal de Campo Grande debateram, no dia 26 de outubro, os cortes dos plantões na Câmara Municipal de Campo Grande. Os profissionais de odontologia relataram aos vereadoreso serviço prestado, número e formato de atendimentos e a necessidade de manter os plantões.

 

Vereador discutiu os possíveis cortes
(Foto: Assessoria).

O vereador Eduardo Romero (REDE) relatou que os profissionais de odontologia "pediram um posicionamento aos vereadores em relação à medida administrativa anunciada  pela Secretaria". Segundo o vereador e membro da Comissão de Saúde da Câmara, falta transparência nas decisões e "o que assustou a categoria é que em nenhum momento isso foi discutido nem com o Sindicato, nem com a Associação. Em nenhum momento a Secretaria chamou os profissionais para explicar o que estava sendo feito, o mapeamento das informações, para tentar encontrar uma solução, apenas foi anunciado na imprensa que se faria esse corte em detrimento de economia do orçamento público". O atendimento odontológico público da Prefeitura de Campo Grande ganhou, em 2008, o prêmio Brasil Sorridente

 

A aposentada Maria Auxiliadora faz o tratamento bucal há mais de dois anos e nesse período realizou canal, manutenção e atualmente faz tratamento de restauração. Maria Auxiliadora criou um abaixo assinado contra o corte no atendimento de plantões no Centro Odontológico da Unidade Básica de Saúde Tiradentes, aos sábados, único dia da semana que tem disponibilidade para realizar consulta.

 

A Secretaria Municipal previu realizar cortes nos horários de plantões em 10 Unidades de Saúde, que abragem os Centros de Especialidade, que atendem regularmente, de segunda a sexta-feira, das 18h00 às 22h00 e, nos finais de semana, das 6h00 às 18h00, e nas Policlínicas, unidades que funcionam durante a semana com o atendimento das 7h00 às 11h00 e das 13h00 às 17h00 e nos finais de semana com plantões para atender a demanda de tratamento odontológico.

Atendimentos na UBS-Tiradentes (Foto: Ketlen Gomes)

Os atendimentos oferecidos à população são os clínicos gerais, periodontia, que é o tratamento gengival; as patologias, como câncer, e pacientes especiais, que são atendidos por quatro profissionais. O presidente da Associação dos Odontólogos de Campo Grande, Carlos Borges também afirma haver diversas dificuldades na manutenção do serviço. "Falta muito material, os profissionais levam material pra trabalhar, falta máscara, até hoje não tem EPI, que é o equipamento de proteção individual, o jaleco". Segundo o presidente, a falta dos recursos começou na administração do prefeito Alcides Bernal.

 

De acordo com Borges, de janeiro a setembro deste ano, foram seis mil pessoas atendidas nos plantões que podem ser cortados, e desses atendimentos foram mais de 20 mil procedimentos realizados. O presidente ainda exemplifica algumas demandas reprimidas, como o atendimento de prótese total, com cinco mil pacientes na fila de espera, e o tratamento de canal, com quatro mil pessoas na espera.

Segundo Borges, a categoria também será afetada com os cortes dos plantões e a incorporação de verbas salariais em mais de dez anos de implantação do programa. "As auxiliares de Saúde Bucal, com 20 anos de serviço tem um salário quase de R$900,00, e aí consegue fazer, vamos supor, R$1000,00 de plantão, e nisso ela faz o planejamento famíliar, compromissos até de longa data, comprar sua moto, alguma coisa, e agora não vai ter mais porque tem que economizar, e assim, esse olhar para o servidor não está existindo".

Os servidores estão há mais de cinco anos sem reajuste e neste ano perderam benefícios como as refeições e auxílio deslocamento, em média de R$300,00 para profissionais que residem distante das unidades em que trabalham.

O secretário de Saúde, Marcelo Vilela solicitou um estudo sobre os atendimentos para a Coordenação de Odontologia da Secretaria de Saúde do Município e ressaltou que "não vai ser feito nenhuma medida para prejudicar a assistência aos trabalhadores, as pessoas usuárias do Sistema Público de Sáude". O presidente da Associação dos Odontólogos, Borges afirma que "se ele for atender os números, a necessidade da população, ele teria que no mínimo aumentar os postos de atendimento".

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