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  quarta, 20 de setembro de 2017
 
4 de dezembro de 2016 - 20h57

Mato Grosso do Sul possui a 4ª maior taxa de óbitos no trânsito

Estado tem 33,3% de mortes por acidentes de trânsito para cada 100 mil habitantes e supera a média nacional de 22,1%

CAMILA VILAR E JÚLIA VERENA
Avenida Afonso Pena, considerada a terceira via mais perigosa da capitalAvenida Afonso Pena, considerada a terceira via mais perigosa da capital  (Foto: Camila Vilar)

Mato Grosso do Sul é o quarto estado no ranking com maior número de mortes por acidentes de trânsito, segundo dados divulgados pela empresa de administração e gestão estratégica, Macroplan. Os três maiores índices estão no estado do Piauí, 40,8%, Tocantins, 40,0%, e Mato Grosso, 37,9%. Os dados foram disponibilizados pelo estudo Desafios da Gestão Estadual deste ano, publicada em novembro, com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE) e do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). De acordo com o relatório da Macroplan, os desafios da gestão estadual demandam reformas estruturais.

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, em junho deste ano, criou o programa "MS mais Seguro", que garante o investimento de R$ 96,4 milhões para a segurança pública do estado. De acordo com o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Carlos Barbosa, foram investidos R$ 16 milhões e outra licitação, de R$ 60 milhões, está prevista para dezembro e para o primeiro trimestre de 2017. Segundo Barbosa, as blitzes e as ações promovidas pela secretaria diminuíram o número de acidentes e mortes no trânsito. “Às vezes, as pessoas pensam que as blitzes objetivam tão somente o problema de documentação e arrecadação, mas o objetivo principal da realização de blitzes é coibir pessoas que andam com veículos sem as condições de segurança, embriagados; e na medida em que existe o trabalho preventivo, há também a prevenção dos acidentes”.

Em Campo Grande, as ações de controle e prevenção das mortes e lesões no trânsito foram desenvolvidas pelo programa “Vida no Trânsito”. Este programa é coordenado pelo Ministério da Saúde e implantado, desde de 2010, em todas as capitais brasileiras e cidades com mais de um milhão de habitantes. Na capital sul-mato-grossense, o “Vida no Trânsito” é organizado pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), em parceria com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran). De acordo com o boletim estatístico do programa, mais de 60% das vítimas fatais no trânsito de Campo Grande são motociclistas.

 

No primeiro semestre de 2016, foram registrados 3448 acidentes no trânsito. Entre as vítimas, 47,30% tinham idade entre 18 a 30 anos e 85% são homens. As principais infrações de trânsito foram as de dirigir o veículo com o telefone celular em mãos, avançar o sinal vermelho e estacionar em locais indevidos. De acordo com o presidente do Sindicato Profissional dos Trabalhadores Condutores em Motocicletas de Mato Grosso do Sul (Sinpromes/MS),  Luiz Carlos Escobar, a associação está preocupada com fato de que os motociclistas são as principais vítimas do tráfego urbano. Ele afirma que isto acontece porque os condutores não estão habilitados.

De acordo com o relatório da Agetran, no primeiro semestre deste ano, as mortes no trânsito ocorreram por causa dos condutores que excederam o limite de velocidade, com 65,4% dos casos, e por falta de infraestrutura, 18,2%. A gerente comercial, Mariana de Oliveira Medeiros, 32, mora no bairro Moreninha II e é motorista há dez anos. Mariana Medeiros afirma que a mobilidade urbana na região e os engarrafamentos próximos à rotatória da avenida Gury Marques pioraram. “Eu não acho que a culpa é dos motoristas não. A culpa é da infraestrutura e da falta de fiscalização, porque se tivesse uma infraestrutura adequada de passagem, a gente não sofreria o tanto que a gente sofre”.  

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