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18 de dezembro de 2016 - 22h38

Falta de vagas para estacionar no centro da Capital afeta o comércio

Pesquisa realizada pelo IPF/MS mostra que clientes desistem de compras por falta de estacionamento

GABRIELA DE CASTRO, JULIANA CRISTINA E PEDRO BAASCH
Rua 14 de Julho é uma das mais movimentadas da região central da capitalRua 14 de Julho é uma das mais movimentadas da região central da capital  (Foto: Pedro Baasch)

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio (IPF/MS) afirma que a quantidade de vagas ofertadas na região central de Campo Grande é insuficiente para o fluxo de veículos no local. De acordo com o levantamento, 42% dos clientes que frequentam o centro da cidade relataram que a falta de vagas para estacionar influencia na desistência de compras. Os dados do Detran/MS, mostram que 1.048 veículos foram multados por estacionar em fila dupla.

O IPF/MS realizou pesquisa com 264 pessoas, 56% dos entrevistados têm renda entre dois a três salários mínimos. O principal meio de locomoção utilizado são ônibus e carros. Cerca de 60% possuem veículo e não o utilizam, principalmente, por questões financeiras e dificuldade em encontrar vaga para estacionar.

Segundo a pesquisa, entre as avenidas Mato Grosso e Afonso Pena, nas ruas Calógeras, 14 de Julho, 13 de Maio, Maracaju, Antônio Maria Coelho, Dom Aquino, Marechal Rondon e Barão do Rio Branco existem 30 estacionamentos privados, desses 57% possuem convênio com algumas lojas. A maioria dos estacionamentos possuem entre duas a três lojas conveniadas.

O gerente do estacionamento privado da rua Barão do Rio Branco com a Dom Aquino, Guilherme Augusto Periuz diz que o local tem vagas para 400 carros. A maioria dos clientes são pessoas que vão ao centro para fazer compras, ir às agências bancárias, entre outros serviços e 15% utilizam os convênios com lojas. “O centro está complicado, tem poucas vagas, as pessoas preferem estacionamento privado por conta dos manobristas. Quem quer um conforto a mais procura o privado, mas tem gente que não confia e prefere deixar na rua. Às vezes, a gente vê o carro passando duas ou três vezes em frente ao nosso estacionamento à procura de vaga”.

O dono do estacionamento, localizado na rua Calógeras, Camilo Tawil explica que o espaço tem capacidade para mais de 100 veículos e o valor do estacionamento é de R$ 6,00 a hora e R$ 2,00 a cada vinte minutos. Tawil fez um acordo com o dono do terreno e acredita que ano que vem o estacionamento será fechado. “Fiz um acordo com o dono do terreno. Eu cuido a área e dividimos o valor arrecado. Talvez o ano que vem, ele comece a construção de um shopping”.

Dos 160 comerciantes entrevistados pelo IPF/MS, cerca de 35% recebem entre 31 a 50 pessoas por dia em suas empresas, aproximadamente 64% costumam ficar até 30 minutos nos estabelecimentos. Os empresários admitiram também que mais de 80% dos clientes apresentaram queixas sobre o estacionamento rotativo Flexpark. Dentre as principais queixas, 87% estão relacionadas à falta de vagas e 12% reclamam do preço em desconformidade com a segurança. Para amenizar a situação, 11% dos lojistas possuem estacionamento próprio ou conveniado para os clientes.

   Leni Fernandes relata a situação do centro (Foto: Gabriela de Castro)

A diretora da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) e empresária, Leni Fernandes destaca as dificuldades para o comércio do centro da capital. “A falta de cuidados, iluminação, pintura, estacionamentos, fez com que o centro deixasse de ser a principal opção de alguns campo-grandenses. O comércio central está prejudicado e lojas de bairros estão lucrando”.

A diretora afirma que a falta de estacionamento atrapalha o comércio e que há propostas para melhorias, que depende  da cooperação da gestão municipal. “Existem ideias como a de construir estacionamentos verticais de dois, três andares. As grandes capitais já aderiram a essa solução, Campo Grande tem condições de aderir também, o que falta é a atenção e interesse da gestão ativa”.

Para a ex-proprietária da Colortec, localizada na rua 14 de Julho esquina com a Dom Aquino, Adriana Paula Bezerra de Souza as pessoas querem comodidade e o estacionamento influencia no comércio. “Estacionamento é algo que chama a atenção para aqueles clientes que pretendem comprar algo no impulso e, caso não o tenha, perdem o foco procurando outras vagas e acaba desistindo. É aí que nós, comerciantes, perdemos. As pessoas querem ter um lugar onde chegam, estacionam, já entram e façam suas compras. Várias empresas abriram outras lojas ou mudaram dali em função disso, porque o estacionamento não é só comodidade, mas também agrega para a loja, a deixando muito mais vendável”.

A empresária Adriana de Souza destaca um dos tópicos do Plano de Revitalização do Centro de Campo Grande, o “Reviva Centro”, elaborado em 2009 pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb), uma saída que, segundo ela, iria melhorar o principal problema do centro da Capital. “No projeto ‘Reviva Centro’ tem estacionamento subterrâneo e um custo não tão alto, afinal, todo mundo tem que pagar um preço pelo conforto e eu acho que a maioria dos lojistas amortizam um pouco o estacionamento quando não faz parte da loja.  Um dos principais pontos do projeto era ampliar os estacionamentos, para os clientes deixarem seus carros e se locomoverem a pé pelo centro. Se isso for colocado em prática, caso o projeto um dia seja efetivado, vai mudar muito a vida das pessoas, dos empresários e consumidores que vão frequentando”.

De acordo com a arquiteta urbanista da Central de Projetos da Prefeitura, Ana Cláudia Magno a Coordenadoria trabalha com captação de recursos internacionais para os investimentos na cidade. A principal proposta do Plano de Revitalização é reorganizar a rua 14 de Julho. O projeto, financiado pelo Banco Interamericado de Desenvolvimento (BID), foi aprovado pelo Senado Federal e o início da revitalização depende da assinatura do próximo prefeito.

O gestor de desenvolvimento da Central de Projetos, Cristiano Oliveira relata que o objetivo da revitalização é favorecer o pedestre da área central com alargamento das calçadas, instalação de equipamentos urbanos, postes e arborização. Oliveira afirma que as vagas para veículos que serão retiradas do perímetro de maior fluxo de pessoas na rua 14 de Julho, entre a avenida Afonso Pena e a rua Marechal Rondon, não afetará o comércio.

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