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6 de dezembro de 2016 - 13h17

Número de casos de dengue aumentam 100% em Campo Grande

Falta de limpeza em terrenos abandonados é a principal causa de doenças provocadas pelo mosquito Aedes Aegypit

CAROLINE CARVALHO, HÉLIO LIMA E JADE AMORIM
Terrenos baldios em bairros de Campo Grande ampliam risco de dengue e chikungunyaTerrenos baldios em bairros de Campo Grande ampliam risco de dengue e chikungunya  (Foto: Hélio Lima)

O número de casos de dengue em Campo Grande aumentou quase 100% em um ano, de acordo com dados divulgados pelo Boletim Epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), no dia 7 de dezembro. Foram registrados 28.153 casos da doença este ano e 14.450 em 2015. Segundo os dados, o número de casos de Chikungunya e Zika Vírus também aumentou na capital. A Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), realizou, no dia 2 de dezembro, campanhas para incentivar a prevenção às doenças.

Segundo o médico infectologista Maurício Pompílio durante o verão, devido às temperaturas mais altas e o período mais chuvoso, há maior proliferação do mosquito em decorrência do aumento dos focos de água parada. As campanhas promovidas pela Sesau fazem parte do programa de mobilização nacional de combate ao mosquito, conhecido como o "dia D". Pompílio afirma que o objetivo das ações da Secretaria é conscientizar a população de Campo Grande sobre os riscos de epidemia de dengue e outras doenças provocadas pelo mosquito Aedes Aegypit. De acordo com o Boletim Epidemológico, no estado de Mato Grosso do Sul foram registrados mais de 50 mil casos de dengue, 452 de Chikungunya e 341 de Zika Vírus.

O aposentado Segundo Cabrera, de 69 anos, afirma que alguns bairros não recebem ajuda do poder público para limpeza dos focos de dengue. Cabrera ressalta que é morador do bairro Jardim Campo Nobre há 34 anos, e que contraiu dengue hemorrágica em 2011 e em junho de 2016. "Tive dengue duas vezes. Após ter sofrido com a doença, minha família inteira começou a ficar muito mais atenta aos métodos de prevenção". 

O presidente da Associação de Moradores do bairro Jardim Campo Nobre, Júlio César de Souza, de 34 anos, afirma que o bairro foi esquecido pelo poder público. De acordo com Souza, os terrenos da prefeitura estão abandonados, e os moradores que realizam a limpeza das áreas. "Nos temos que limpar a área da prefeitura. Eles não tem a preocupação de mandar vir limpar".

Segundo Cabrera contraiu dengue duas vezes (Foto: Hélio Lima) 

Souza afirma que em 11 anos como líder comunitário, o bairro em que mora nunca foi contemplado pelas campanhas de conscientização da Prefeitura. "A falta de campanhas de incentivo aos moradores, para prevenção das doenças, dificulta o trabalho de limpeza dos locais".

Segundo o administrador José Coelho, de 62 anos, no bairro Vila Maciel, os moradores realizam a limpeza das áreas com o foco do mosquito. Ele ressalta que auxilia as pessoas que moram próximo ao córrego Bandeira com os trabalhos de prevenção. "Nós estamos prevenindo os moradores contra a proliferação do mosquito. Eu recomendo à tomarem medidas de prevenção. Quando eu vejo algo errado os chamo atenção”.

Coelho afirma que é responsável pelos cuidados de nove terrenos e mesmo quando os vizinhos não cuidam das áreas, ele realiza a limpeza. "Quando os vizinhos não fazem, e nós temos acesso aos terrenos, nós cuidamos do problema". 

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