TRÂNSITO

Número de mortes de ciclistas em Campo Grande aumenta 33%

Dados do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito indicam aumento nas mortes de ciclistas nos últimos dois anos

Ana Beatriz Rigueti, João Lucas e Marco Antônio Cruz, de Campo Grande10/11/2019 - 00h01
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O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) registrou 59 acidentes com ciclistas neste ano, em Campo Grande, de acordo com o comandante do setor de Policiamento e Fiscalização com Drone, Everton Myller . O levantamento foi realizado até o dia 28 de outubro de 2019, e representa um número de mortes 33% maior do que de 2017. Seis mortes ocorreram em 2017, sete em 2018 e oito até outubro desse ano. Dos 9.903 acidentes de trânsito da capital, foram 3.863 pessoas feridas e 59 mortes.

O tenente Myller explica que o BPTran registra o número de acidentes, o tipo de vítima, quantidade de notificações de trânsito, e associa o aumento no número de acidentes à maior facilidade de adquirir um veículo ou uma bicicleta. "O aumento, querendo ou não, vem também da falta de fiscalização devido até a falhas de meios pessoais e logísticos que vemos apresentando. A nossa instituição, mesmo com o apoio do pessoal do Detran e da Guarda Municipal de Trânsito, sente com o passar dos anos essa questão de diminuição de efetivo e de logística".

De acordo com Myller, o número de incidentes está relacionado principalmente com motoristas de carros que dirigem em alta velocidade, infratores da sinalização de trânsito e motoristas sem habilitação. "Um grande fator é a imprudência, especialmente pelo número elevado de condutores não habilitados, que não tiveram essa capacitação. Muitos deles não conhecem nem as regras de trânsito, de circulação nem os sinais. Esses não habilitados dirigem na imprudência, a falta de respeito à vida e ao próximo".

Segundo Myller, por meio do uso de monitoramento aéreo por drones foi possível estabelecer que esse aumento de mortes e acidentes com ciclistas coincide com um crescimento de notificações nas infrações de trânsito. "Tudo está interligado. A questão do aumento de notificações de fila dupla e principalmente as notificações de manusear e usar o celular. A partir do momento em que ele usa o celular ele já não presta mais atenção em volta dele. Mesmo parado no semáforo os motoristas que dirigem corretamente tendem a se irar, descer do carro, ter alguma discussão e até ao óbito".

O auxiliar da Assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso do Sul, tenente Ricardo Salles explica que o maior fluxo de ciclistas, maior acesso a esses veículos de baixo porte e a imprudência de motoristas de carro e moto são apontados como motivos para o aumento de acidentes que envolvem ciclistas. "O que motiva isso é a mudança de cultura, as pessoas em busca de economia, de uma questão de vida mais saudável. Elas começam a buscar as bicicletas, tanto as bicicletas de pedal quanto as elétricas, essas bicicletas elétricas também são um fenômeno visível aqui na capital, e estamos atentos a alguns dados em relação a fabricação nacional onde a frota anual é de 70 milhões, e a produção mensal é de 2,5 milhões. Somos o quarto maior produtor mundial de bicicletas".

Corpo de Bombeiros recomenda o uso de roupas claras e de proteção para ciclistas (Foto: João Lucas)

De acordo com Salles, a recomendação do Corpo de Bombeiros é de que os ciclistas usem roupas claras para ficarem visíveis e indica que grande parte das lesões ocorrem em pessoas com roupas leves como shorts, que expõe o joelho e resulta em uma lesão direta. "A roupa em si já ajuda bastante nessa questão da proteção, capacete, luvas e roupas claras. À noite, aquelas luzes que sinalizam a bicicleta também são importantes para que você seja vizualizado de longe. E outra situação é respeitar as leis de trânsito, o que as pessoas não entendem, o que os ciclistas não entendem é que a bicicleta também é um veículo e tem que obedecer as normas de trânsito".

O engenheiro agrônomo Leonardo Cruz utiliza a bicicleta como meio de transporte há quatro anos e relata que neste ano considerou investir em outro transporte pelo medo de envolver-se em acidentes. "Eu participo de grupos de ciclitas em várias redes sociais e essa é uma preocupação que a gente vem sentindo cada dia mais. Eu sei que a gente tem ciclovias, por exemplo. Isso é muito bom do ponto de vista do transporte coletivo, da urbanização, mas isso também querendo ou não aumenta o fluxo de ciclistas na cidade e muitos motoristas ainda não se acostumaram com isso".

Leonardo Cruz decidiu investir em equipamentos de sinalização quando um amigo próximo acidentou-se gravemente enquanto pedalava, e acredita que o uso de equipamentos de proteção é indispensável para o ciclista em ruas menos movimentadas. "Eu sempre carrego proteção mais segura, que mesmo sendo uma roupa mais cara, é mais barato do que eu quebrar alguma coisa ou até ser levado para o hospital. Esses tempos saiu matéria dizendo que somos uma das cidades que mais mata ciclistas no trânsito, quer dizer, a primeira ou segunda capital. Esse é o tipo de coisa que me deixa muito aflito porque eu sempre imaginei que Campo Grande era uma cidade mais tranquila em termos de segurança pública".

De acordo com Everton Myller, uma das medidas eficazes na prevenção de acidentes de trânsito é o aumento de fiscalização por meio de novos dispositivos tecnológicos como drones e a instalação de radares em lugares considerados de risco. Ele diz que em Campo Grande há muitos cruzamentos sem sinalização e defende a instalação de mais radares. "Apesar da população reclamar, a gente percebe nos nossos estudos de estatística que, conforme os radares foram desativados na cidade, há um aumento na capital no número de mortes e acidentes".

Salles explica que após o acidente a vítima, que geralmente bate a cabeça no meio fio, fratura um braço ou teve luxação nas pernas deve ligar para o número 193 dos bombeiros. "Eles localizam onde ela está e mandam a unidade mais próxima. A unidade de resgate verifica onde há lesão e faz o procedimento de praxe, imobilização, a emostasia, que é cessar aquele sangramento, se tem suspeita de lesão na coluna é feita a imobilização com colar cervical, prancha, colete estabilizador de coluna".

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