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4 de maio de 2015 - 20h20

Mato Grosso do Sul é segundo estado com maior índice de violência sexual

Campo Grande lidera o número de atendimentos do serviço telefônico de denúncias de agressões contra as mulheres

ANDRESSA OLIVEIRA E JACQUELINE GONÇALO
Esperar o ônibus sozinha pode se revelar um desafio para a mulherEsperar o ônibus sozinha pode se revelar um desafio para a mulher  (Foto: Jacqueline Gonçalo)

O ano de 2014 registrou um aumento de mais de 40% nas denúncias de violência contra as mulheres no Brasil. Campo Grande lidera o número de atendimentos do Ligue 180, serviço telefônico de denúncias de agressões contra as mulheres. Segundo dados da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher foram instaurados 3.245 inquéritos no ano de 2014 na capital. Os altos índices de denúncias fizeram com que a Campo Grande fosse escolhida para sediar a primeira Casa da Mulher Brasileira. O estupro lidera entre as denúncias. em segundo lugar está a exploração sexual e o assédio com 262 ocorrências registradas pelo Ligue 180. Em média, uma mulher é estuprada a cada sete horas em Mato Grosso do Sul.


Para a estudante de Jornalismo, Luana Ayala, a sociedade entende o assédio público como um elogio, uma forma de elevar a autoestima da mulher, quem sofre com isso todos os dias não compreende da mesma maneira. Segundo ela os assovios e "cantadas" são uma ofensa para a mulher “é triste sair na rua e perceber que os homens enxergam as mulheres enquanto objetos disponíveis às suas vontades. Meu corpo não é público para que seja alvo de comentários sexistas e que me ofendem enquanto mulher e ser humano. Eu me sinto violentada a cada olhar, 'cantada', e palavras de baixo calão”.

Luana Ayala comenta como se privou de fazer determinadas atividades ou usar certos tipos de roupa para não ser "cantada". “Logo penso que se sair com roupa mais curta, caso aconteça algo, serei julgada pela roupa e acusada de ‘mas ela provocou’. É comum ver pessoas que usam este argumento e que em nenhum momento problematizam o porque do estupro, ou qualquer outro tipo de abuso, ter acontecido. A culpa nunca é vítima, em hipótese alguma”.

A estudante é ativista do movimento feminista e acredita que a sociedade considera o assédio público como algo natural "porque fomos criados assim". Destacou ainda que “por conta da sociedade patriarcal em que vivemos, é clara a relação de poder dos homens sobre as mulheres, e somos obrigadas a aceitar tudo o que nos falam e fazem, inclusive quando só diz respeito ao nosso corpo e vontades”. E enfatiza que o assédio que vem das ruas assusta, e por medo a mulher perde sua liberdade em andar despreocupada e usar as roupas que quiser.

Pontos de ônibus favorecem assédio

Luana Ayala enfatiza que “ser mulher é ter medo a cada esquina vazia, cada de ponto de ônibus vazio, cada resposta dada a uma cantada na rua. Ser mulher é, acima de tudo, ato de resistência”. 

A estudante de psicologia, Carolina Carrilho também disse se sentir desconfortável quando sai e recebe alguma “cantada”, por isso prefere andar acompanhada “sempre tem algum homem pra comentar algo desnecessário e fazer você se sentir desconfortável. É mais viável e seguro sair com alguma outra pessoa”.

Segundo Carolina Carrilho o que mais incomoda é ter atividades do dia-a-dia comprometidas por este tipo de comportamento “uma coisa tão simples como ir ao mercado da maneira que me sinto confortável, virou um problema, pois não posso ir como quero e tenho que estar sempre alerta”. 

A administradora Lana Mayla também comentou que se sente muito desconfortável ao sair sozinha, mas que isso não chega a ser um empecilho. Segundo ela as mulheres não devem deixar de vestir o que quiserem, porque a roupa não é um motivo para que os homens se aproveitem para fazer comentários "chulos" ou violentarem uma mulher.


 

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