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9 de dezembro de 2016 - 18h54

Agetran compra drone para monitorar o trânsito de Campo Grande

Equipamento, que custou R$ 17.726,00, tem como objetivo observar as vias e áreas de congestionamento da cidade

JÚLIA BEATRIZ, MICHAEL FRANCO E LUANA MOURA
O drone será utilizado para medir tamanho de congestionamentos em vias da cidadeO drone será utilizado para medir tamanho de congestionamentos em vias da cidade  (Foto: Júlia Beatriz)

A Agência Municipal de Trânsito (Agetran) utilizará drones para monitorar o tráfego de Campo Grande no início de 2017. O órgão comprou o primeiro aparelho em novembro e será usado para observação das vias, medição de tamanho de congestionamentos e acompanhamento de locais com trânsito lento na cidade.

O diretor-presidente da Agetran, Elídio Pinheiro afirma que o objetivo do projeto é melhorar o levantamento de dados sobre o trânsito da cidade. "A ideia do drone surgiu dos avanços da tecnologia a serem utilizados para realização de projetos viários. Antigamente, tudo era feito no levantamento topográfico e o uso do drone facilitou muito os projetos viários".

O sócio da empresa, Paulo Costa diz que o drone adquirido pela Agetran é de alta tecnologia. Segundo Costa, o modelo quadricóptero tem câmera 4K e transmite as imagens em high definition (HD), com alcance de voo de 2 km e transmissão de dados de até 5 km.  A compra foi realizada por meio de pregão presencial, divulgado no Diário Oficial, do dia 20 de setembro. A empresa vencedora da licitação foi a "Casa 10 Utilidades". O custo total da aquisição foi de R$ 17.726, de acordo com o Portal de Transparência da Prefeitura Municipal de Campo Grande.

Pinheiro afirma que o drone também possui a opção de utilizar dois rádios controles e o custo do aparelho é acessível. "É um custo muito baixo em comparação com apenas um levantamento topográfico, fica irrisório este custo". Os dados coletados pelo equipamento serão compilados por técnicos da Agetran por meio de software simulador de engenharia de tráfego.

De acordo com o diretor da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FAENG/UFMS), João Onofre, a Agetran possui infraestrutura suficiente e falta gestão de dados. "Para a gestão do trânsito da cidade eu tenho os pontos que eu sei que são os gargalos, e para os locais que eu não tenho esses dados,  com um cálculo matemático adequado, eu consigo essas informações sem o uso do drone". Gargalos são situações em pontos específicos da cidade que comprometem o tráfego da cidade.

 

Regulamentação

No Brasil, o uso de drones não é regulamentado. É necessária uma autorização expressa da Agência Nacional de Aviação (Anac) ou Certificado de Autorização de Voo Experimental (CAVE) para operar aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) no país. O procedimento, para que uma aeronave receba o CAVE, deve estar de acordo com a Instrução Suplementar 21-002A. Após a autorização da Anac, é necessária a liberação do uso pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

O uso de drones no país é dividido em três categorias. A primeira é o aeromodelismo, para atividades recreativas e competições. A segunda categoria é a operação experimental, pesquisas e projetos de desenvolvimento, e a terceira é a operação não-experimental, para filmagem de eventos, serviços fotográficos, vigilância, inspeção e uso comercial. A única modalidade autorizada no país é o aeromodelismo, que atende as regras previstas na Portaria DAC n° 207/STE, de 7 de abril de 1999. Em operações experimentais e não-experimentais, é necessária a autorização da Anac e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). O Artigo 33 da Lei de Contravenções Penais, prevê a restrição do uso à operadores licenciados.

O sócio da "Noar Drone", empresa que presta serviço de drones, Fábio Mora afirma que a empresa está de acordo com as normas estabelecidas por lei para garantir a segurança. "Vai ter regulamentação da altura que pode atingir e se pode ir à área urbana ou não. Mas não tem nada disso ainda. O que nós utilizamos hoje é o bom senso. A gente segue também as normas de aeromodelismo, mas não 100%, porque o aeromodelismo você não consegue parar ele no ar que nem no drone, então a gente voa até 120 metros de altura, procura não voar em cima de pessoas trinta metros atrás, por exemplo".

Onofre afirma que a regulamentação não é suficiente. "Mesmo que a Anac regulamente, o drone é uma experiência nova. Se é uma experiência nova a gente não consegue criar isso bem. Depois que começar a rodar, vão aparecer problemas que eles não conseguiram prever. Ou problemas restritivos demais ou não previu alguma possibilidade e as pessoas começam a utilizar e dar um problema. É natural e inerente de tudo que é novo, por isso tem que ser passo a passo".

De acordo com o professor, há outras consequências do uso do drone para serem consideradas além da regulamentação. "Um drone tem peso, isso cai. Qual a consequência disso? Dependendo de onde ele cair ele pode causar estragos. Os aviões também estão seguros e a gente vê com uma frequência muito maior que a gente gostaria de acidentes aéreos, também por isso é importante a regulação disso".

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